O desenvolvimento da linguagem da criança, o que esperar?!

Bom dia, pessoal!

Quando nos tornamos pais de primeira viagem começam a surgir inúmeras dúvidas em relação ao desenvolvimento dos nossos pequenos, não é mesmo? Qual a idade que eles começam a andar, a falar, a rir?! São tantas as dúvidas que resolvi escrever para vocês sobre a aquisição da linguagem e o que podemos esperar em cada marco do desenvolvimento. Então, vamos lá!

0 a 3 meses: O bebê já é capaz de prestar atenção aos sons que estão a sua volta. Reconhece a voz dos pais e se acalma quando conversamos com ele. Chora, faz alguns sons, dá gargalhadas, já sorri quando alguém fala com ele e observa o rosto de quem está a sua frente.

4 a 6 meses: Nessa fase o bebê já é capaz de procurar de onde vem o som. Grita, faz alguns sons como se estivesse de fato conversando conosco e tenta imitar a nossa voz.

7 a 11 meses: Nessa fase a criança já sabe de fato de onde vem o som. Faz muitos sons, repete sílabas como “mama” e “papa”. Reconhece o seu nome. Bate palmas. Pode até receber ordens simples como dar tchau e mandar beijos.

12 a 18 meses: Começa a emitir as primeiras palavras, como, por exemplo, nomes de bichos e os nomes das pessoas mais próximas. Fala algumas expressões que indicam ação como “quer” e “dar”. Já é capaz de obedecer a comandos de duas ou mais ordens, como, por exemplo, “Pegue seu brinquedo que está no quarto”. Tem um vocabulário de aproximadamente 20 palavras.

18 a 24 meses: A criança é capaz de dizer muitas palavras diferentes e muitas delas podem ser sem sentido, mas o importante é estar falando. Ela é capaz de dizer frases curtas com duas palavras. Já tem um vocabulário bem amplo com aproximadamente 200 palavras.

2 a 3 anos: A criança já nomeia quase tudo. É capaz de combinar palavras em sentenças para expressar pensamentos e sentimentos. O vocabulário é muito extenso, embora a gramática ainda seja imperfeita. Consegue manter conversas com adultos e já conhece as cores.

4 anos: É capaz de contar histórias e compreender regras de jogos simples.

5 anos: Forma frases completas e deve falar sem trocar as letras na fala.

6 anos: Aprende a ler e a escrever.

Existem alguns sinais de alerta, aos quais devemos ficar atentos, que são:

– Até 1 ano: Se a criança não responde ao seu nome; não balbucia grupos curtos de sons; não olha para as pessoas que falam com ela; não aponta nem faz sons para obter o que deseja.

– Até 18 meses: A criança ainda não diz nenhuma palavra ainda que incorretamente.

– Até 24 meses: A criança ainda não diz mais que uma palavra com clareza, não obedece a uma solicitação simples como, por exemplo: “Vem aqui na mamãe” ou não responde a questões simples como “sim” e “não”.

– Até 3 anos: A criança tem um vocabulário pobre, não produz combinações de palavras, não entende significados diferentes como “em cima/embaixo”, não consegue seguir comandos de duas etapas ou não percebe os sons do ambiente.

Caso perceba alguma alteração nesses marcos de desenvolvimento não hesite em procurar um fonoaudiólogo e conversar com o pediatra responsável pela criança. A precaução é sempre a melhor conduta a ser tomada. Lembrando que existem inúmeras variações no desenvolvimento de uma criança para outra. O que é normal para um, às vezes não é para outro. Cada um desenvolve de um jeito, portanto essas características podem sofrer variações de indivíduo para indivíduo. Não são regras. Por isso é necessário sempre conversar com um profissional para que ele dê um diagnóstico adequado.

Com amor,

Ana Maria Poças

CRFa 6-7185

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#mamãefonoaudióloga: A fala dos “Fissurados”

Oi gente!

O assunto de hoje é sobre Fissura. Como tem muitas mamães me perguntando como é a fala de bebês que têm fissuras e se são atrasados em relação a linguagem, resolvi escrever este post.

Já falei aqui no Blog e torno a repetir, bebês fissurados são NORMAIS como todas as outras crianças. A única diferença é a abertura na boca e no palato. Quanto ao desenvolvimento da linguagem não tem nada de diferente, ela acontece do mesmo jeito como todas as crianças. O que pode acontecer são os sons que podem sair um pouco distorcidos se começarem a falar antes da cirurgia, por ainda terem o palato aberto (céu da boca). Por esse motivo, se a cirurgia for realizada no tempo certo, a fala dos nossos pequenos tem uma enorme chance de não ser prejudicada.  Existe um fator bem importante que também auxilia muito que é a escolha de um cirurgião plástico ou um centro especializado no assunto na hora de operar.

Antes da cirurgia os bebês devem ser estimulados normalmente em relação a fala (Já fiz um post sobre Estimulação de linguagem, deem uma lida depois!), o que podemos fazer desde sempre é incentivá-los a direcionar o fluxo aéreo para a boca, pedindo para a criança tampar o nariz com a mão ao falar palavras com a consoante /p/, como por exemplo papai, e também colocar brincadeiras no dia a dia que estimulam o sopro, como por exemplo: tocar flauta, gaita, apito e fazer bolinhas de sabão. Após a cirurgia de palato o que às vezes pode acontecer é o que nós fonoaudiólogos chamamos de disfunção velofaríngea,  que podemos exemplificar com o escape de ar nasal ao falar, hipernasalidade na fala, refluxo nasal de alimentos e distúrbios articulatórios compensatórios (DAC). Por isso, ressalto aqui a importância de procurar um bom profissional cirurgião plástico e um bom fonoaudiólogo, que sejam experientes no assunto. O fonoaudiólogo irá avaliar e passar exercícios para que esta etapa seja vencida e que as alterações na fala sejam minimizadas antes e após as cirurgias. Fazendo isso, podem ter certeza de que as chances de sucesso são enormes.

Depois da palatoplastia, Raul já falava algumas palavras como mamãe, áái (papai), vovó, auau, ága (água), bó (bola), etc. Não falava nada com as consoantes /p/, /d/, /k/ e /t/ ainda, por exemplo, papai ele falava “áái”. Alguns meses de treino e muito sopro (risos) saiu o primeiro papai. E hoje já fala o /p/, /b/, /t/ tranquilamente. A luta agora é para usar o /k/ nas palavras corretamente. Dentre esses sons que citei o único que ainda estamos na luta para ele usá-lo da maneira correta é o /k/ (o mesmo som quando falamos “casa”). Em sílabas isoladas e até em palavras que não tem o /k/ ele usava, por exemplo: ele falava “moco” ao invés de moto. (risos)

Confesso que eu fico um pouco neurótica com a fala do Raul, pelo fato dele ter nascido com fissura, mas ele está até mais desenvolvido do que muita criança que vejo na mesma faixa etária dele (Raul está com 01 ano e 09 meses). Se você escutar ele conversando sozinho ele fala quase todos os fonemas, inclusive alguns que são aprendidos mais pra frente. Enfim, o que temos que preocupar é em estimular. Estimular e muito a audição, colocar músicas para a criança escutar, dançar, cantar, brincar muito, dar livrinhos para ela ir vendo as figuras, estimular a imitação de sons de animais, meios de transportes, telefone, ranger da porta, etc., usar mesmo a imaginação e a criatividade com seus filhotes. Quanto mais brincamos e damos exemplos, eles aprendem! E a última e mais importante dica em relação a fala: Seja o exemplo de fala para o seu filho. Fale certo! Fale as palavras corretamente, mesmo que você ache lindo  e morra de amor quando seu filho falar “ábua” (água), “mimi” (dormir), “bubu” (chupeta/bico) e outras coisas fofas! Criança é seu espelho, em tudo! Pense nisso…

Ps.: Olhem aí, o Raulzito falando Papai logo quando aprendeu a fazer o /p/.

Ps. 2: Já estamos providenciando vídeos no nosso canal no youtube.

Com amor,

Ana Maria Poças.

CRFa 6-7185