Objeto de apego: O desapego

Bom dia!

Quem acompanha a gente desde os dois anos do Raulzito sabe que ele é louco com as Tartarugas Ninjas, né? Ele tem um monte de coisas das Tartarugas Ninjas, desde bonecos dos mais variados tipos até toalha de banho, e de todas essas coisas que ele tem, ele se apegou a uma blusa que não largou até os seus 4 anos e meio.

A blusa foi comprada para ele usar no seu aniversário de 3 anos, não era uma simples blusa… ela tinha um casco atrás como se fosse o casco verdadeiro da Tartaruga o que fazia o Raul se sentir o verdadeiro Leonardo, a Tartaruga Ninja preferida dele. Ele usava essa blusa para tudo, sair, dormir, segurar… a levava para todos os lugares e eu tinha que lavá-la todos os dias, sim eu disse TODOS os dias porque ele me deixava louca perguntando cadê a blusa se eu não o deixasse usá-la. Quando ela estava lavando era como se eu tivesse pegado uma coisa MUITO importante dele, a blusa era como se fizesse parte do corpo dele… já estava virando novela quando tentei comprar outra, mas para a minha infelicidade eu não achei em lugar algum. Compramos outras fantasias da Tartaruga Ninja e outras blusas também delas, mas nenhuma substituía aquela blusa do Leonardo de casco atrás. Para vocês terem uma ideia viajamos para a praia e ele usou a blusa os cinco dias que ficamos lá sem lavá-la. Só não usou no último dia porque ela caiu no mar e depois na areia… Vocês podem pensar: Nossa que porqueira… Mas, eu deixei… ou era isso ou deixava meu filho extremamente triste. Quando percebi que aquilo não estava “normal”, que essa fixação pela blusa não era um simples capricho, comecei a pesquisar e foi aí que resolvi escrever o texto sobre Objeto de Transição. Descobri que algumas crianças aderem algum objeto para acompanhar a transição delas de uma fase para outra de sua vida. Foi assim com o Raul, a blusa que era verde vivo virou um verde desbotado quase amarelo, cheia de furos, o casco já não existia mais há um bom tempo. Os furos foram sendo costurados ao longo do tempo, mas chegou um momento que não dava mais, o pano já estava tão fino que se puxasse rasgava com facilidade. Estava com vergonha de vê-lo usando a blusa. Quando ele cismava em sair vestido com a blusa as pessoas reparavam e certa vez me peguei explicando para uma moça em uma fila do caixa da farmácia o porquê da blusa estar toda rasgada e o meu filho vestido com ela.

O apego dele a essa tal blusa durou dois anos e meio, mais ou menos, e como citei no texto que escrevi sobre o apego a objetos, da mesma forma que ela apareceu o desapego aconteceu, sem explicação. De um dia pro outro ele desapegou, não vestiu mais a blusa e nem perguntou mais por ela. Deixei-a guardada na gaveta dele ainda por uns dias para ver o que ele falava, até que peguei a blusa e a guardei. Desde que guardei a blusa ele não perguntou mais por ela. Um dia, ele a viu guardada em meu guarda-roupas e me perguntou o que ela estava fazendo ali, eu disse que estava guardando para ele mostrar pros filhos dele… rimos e ele continuou a sua brincadeira.

Foi assim o desapego, sem traumas, sem neura… Talvez ele precisasse da blusa para aconchego, firmeza ou outro sentimento que não saberei explicar. O importante foi que respeitei. Respeitei a sua opinião de vesti-la quando quisesse e/ou necessitasse e respeitei até o dia que ele não precisou mais dela.

Com amor,

Ana Maria.

 

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