Não rotule seu filho

Bom dia!

Esses dias fiquei pensando em como temos o costume de rotular as pessoas, principalmente as crianças. Vejo muito os próprios pais denominando o filho de: “bagunceiro”, “preguiçoso”, “quietinho”, “chato”, “fissurado”, “agitado”, “deficiente”, “especial”, “bobo”, “esperto”, “adotado”… E sempre que escuto isso fico bastante incomodada, pois a personalidade da criança também é formada por características que lhe são atribuídas pelos pais ou pessoas em quem elas confiam. Ou seja, essas palavras acabam sofrendo influência indiretamente na formação de sua personalidade.

Rotulamos as pessoas muitas das vezes sem pensar, eu sei… Até mesmo nas frases: “Ih, puxou o pai na teimosia!” ou “Ih, já vi tudo! É igual a mãe, ‘bicho do mato’, né!?”. Aposto que vocês já escutaram isso muito por aí, não é mesmo!? Na escola isso também acontece, seja pelos próprios professores ou pelos colegas de classe, e esses rótulos, segundo estudos, interferem no rendimento escolar e no psicológico da criança. Outro exemplo que vivo bem de perto é o do caso do meu Raulzito, que nasceu com fissura labiopalatina. Eu nunca mais o denominei de fissurado após a cirurgia. Eu entendo que não tenho mais o porquê de chamá-lo de fissurado, uma vez que a correção já foi feita. Acredito que se eu sempre o lembrar disso ele acabará se diferenciando das outras pessoas e isso pode não ser muito bom. Sentir-se diferente do restante dos indivíduos não é tão bem aceito pela maioria das pessoas. Por esse motivo vivemos em meio ao preconceito que está espalhado por esse mundo afora. Já na sua personalidade, também me policio bastante nas rotulações. Evito chamá-lo de “bagunceiro”, “arteiro” etc., pois, enfatizando esses adjetivos aumento a “importância” naquele aspecto e acredito que pode sim interferir na sua autoestima e na solidificação de sua identidade e personalidade.

Da mesma forma que não faço com meu filho não faço com nenhum dos meus pacientes ou pessoas que conheço, podendo ser deficiente, “especial”, surdo, autista, agitado, tímido… Somos todos iguais! Não chamo uma criança deficiente de especial. TODAS as crianças são especiais! Todo ser humano é especial. Não costumo rotular uma criança que tenha alguma síndrome de especial ou que precise de uma cadeira de rodas para se locomover de deficiente. A pessoa que já vive com o “problema” às vezes pode até não sentir o que você fala, mas as pessoas que convivem com ela podem sentir e podem não aceitar bem… Rotular é sempre muito ruim! Até mesmo usando de boa fé!

Com muito amor,

Ana Maria.

PS.: Dicionário Mineirês (risos): Bicho do Mato = pessoa tímida.

Leia mais sobre o assunto:

Clique para acessar o professores_que_rotulam.pdf

http://www.vilamulher.com.br/familia/filhos/cuidado-na-hora-de-rotular-os-filhos-679533.html

https://temasempsicologia.wordpress.com/2011/12/27/rotular-alguem-e-limitar-as-suas-capacidades/

Incentivando a imaginação

Bom dia!

Há alguns dias atrás Raul me pediu para montar a árvore de Natal aqui em casa… Influência dos desenhos animados que ele assiste que já estão com tema de Natal e também de alguns lugares que frequentamos que já estão decorados com o tema natalino, enfim, a pedido dele começamos a decorar a casa. Como a nossa árvore do ano passado morreu, esse ano vamos ficar somente com o cacto (de estimação) Natalino… e começamos a decorar a casa com enfeites de Natal.

No dia seguinte ele levantou e foi logo pedindo para escrever uma cartinha pro Papai Noel. Eu confesso que fiquei meio sem saber o que fazer, afinal é um menino de 2 anos e eu e o Rodrigo nunca havíamos incentivado ele a acreditar em figuras imaginárias como Papai Noel e Coelhinho da Páscoa. Não tinha opinião formada a respeito disso e nem pensado no assunto. Bom, minha reação foi entrar na dele. Fui pegando o papel e os lápis para ele escrever. Ele, que já me esperava em cima da cadeira da mesa, foi logo pegando o lápis, rabiscando a folha e falando: “Papai Noel, um Hulk, Raulzinho.” Isso em tamanhos diferentes de rabiscos na folha, sinal de que já conhece e tem percepção de tamanhos (Mamãe fono pensando… risos). Quando ele acabou, eu dobrei e entreguei a ele a cartinha. Ele desceu da cadeira e colocou ela no cacto. No dia seguinte, eu a recolhi antes dele acordar. Eu ainda esperava que ele fosse esquecer, que tivesse sido somente uma brincadeira… e não… ele foi direto no cacto pra ver se ela ainda estava lá. E ficou todo feliz que o “Papai Noel” tinha levado a sua cartinha.

Depois do ocorrido fui procurar saber se estava ou não certa em incentivar, mesmo que a iniciativa não tenha partido da nossa parte. O resultado que encontrei foi que incentivar a imaginação da criança é sempre muito bom! A fantasia é fundamental no processo de desenvolvimento cognitivo das crianças. Para a criança o real e o irreal ainda não são muito definidos e incentivar as crianças a acreditarem em figuras imaginárias, enriquece a imaginação e favorece a exploração das ideias e do pensamento. Vivenciar esse universo é enriquecedor para o raciocínio, para as habilidades de criação e de soluções de problemas, além de ajudar os pequenos a lidarem com os seus próprios sentimentos.

Então, que o Papai Noel seja incentivado aqui em casa! Eu já aproveitei para contar a história do Natal e seu significado no cristianismo.

Com amor,

Ana Maria.

Sugestões de leitura:

http://www.marisapsicologa.com.br/acreditar-em-papai-noel.html

http://delas.ig.com.br/filhos/2012-11-23/crianca-deve-acreditar-em-papai-noel.html

http://ninguemcrescesozinho.com/2012/12/04/deixe-sua-crianca-acreditar-em-papai-noel/

Livro – As crianças aprendem o que vivenciam

A dica de leitura do dia é do livro “As crianças aprendem o que vivenciam” de Dorothy Law Nolte e Rachel Harris, lançado pela Editora Sextante. O livro foi escrito após a autora escrever um poema em 1954 e publicá-lo em sua coluna semanal em um jornal da Califórnia. O poema foi uma resposta às perguntas dos pais sobre o que significa ser pai e mãe em suas aulas sobre a vida familiar.
A leitura é riquíssima em exemplos e explicações de situações diárias em relação à educação dos nossos pequenos que nós pais muitas das vezes não sabemos como lidar ou lidamos de maneira errônea. O poema resume o livro e vou transcrevê-lo abaixo para que vocês fiquem com vontade de ler o livro, que realmente é ótimo!
 As crianças aprendem o que vivenciam
Se as crianças vivem ouvindo críticas, aprendem a condenar.
Se convivem com a hostilidade, aprendem a brigar.
Se as crianças vivem com medo, aprendem a ser medrosas.
Se as crianças convivem com a pena, aprendem a ter pena de si mesmas.
Se vivem sendo ridicularizadas, aprendem a ser tímidas.
Se convivem com a inveja, aprendem a invejar.
Se vivem com vergonha, aprendem a sentir culpa.
Se vivem sendo incentivadas, aprendem a ter confiança em si mesmas.
Se as crianças vivenciam a tolerância, aprendem a ser pacientes.
Se vivenciam os elogios, aprendem a apreciar.
Se vivenciam a aceitação, aprendem a amar.
Se vivenciam a aprovação, aprendem a gostar de si mesmas.
Se vivenciam o reconhecimento, aprendem que é bom ter um objetivo.
Se as crianças vivem partilhando, aprendem o que é generosidade.
Se convivem com a sinceridade, aprendem a veracidade.
Se convivem com a equidade, aprendem o que é justiça.
Se convivem com a bondade e a consideração, aprendem o que é ter respeito.
Se as crianças vivem com segurança, aprendem a ter confiança em si mesmas e naqueles que as cercam.
Se as crianças convivem com a afabilidade e a amizade, aprendem que o mundo é um bom lugar para se viver.
                     Dorothy Law Nolte
Boa leitura e que cultivem o amor sempre!
Gratidão enorme a minha cunhada por ter me presenteado com esse livro. Obrigada Debinha!
Com amor,
Ana Maria.