O Tubinho de Ventilação saiu!!!

Bom dia!

Eu não poderia ter ganhado um presente de Natal melhor e já posso virar o ano respirando mais aliviada! Esta semana passada vivi um momento que estava esperando por muito tempo. Pela manhã após ter passado por uma noite daquelas com o Raulzito  que estava com uma febre que não cedia nem com antitérmicos intercalados… Quando cheguei no quarto para ver como ele estava, vi uma coisa estranha no ouvido esquerdo dele. Uma bolinha meio amarronzada, meio preta, na hora gelei e logo pensei ” O que é isso, meu Deus?!”. Fui logo já tirando com os dedos antes que ele se mexesse e ela entrasse de novo pro ouvido ou caísse no chão…  Peguei aquela bola cheia de cerúmen enrolada e vi que tinha um pontinho azul nela, terminei de limpar e adivinhem!? Era um dos tubinhos de ventilação.

Longos 01 ano, 11 meses e 13 dias, enfim o “azulzinho” resolveu dar as caras pro lado de fora da orelha do Raul. Vocês não sabem como isso estava me deixando preocupada. Só mãe de criança que nasceu com fissura labiopalatina ou que os filhos precisaram de colocá-los, vão sentir o que estou falando. Levava o Raul no otorrino de seis em seis meses para saber como andava lá por dentro do ouvido. Eu já sabia que estava tudo certo! Mas como #mãeneurótica que sou… queria vê-los do lado de fora o quanto antes, pois eles já haviam saído dos tímpanos há um bom tempo. O médico disse que uma hora ou outra eles iriam sair, e que não tinha problema eles ficarem lá dentro por muito tempo se não tivessem incomodando o Raul ou atrapalhando a audição. Caso necessitasse poderia retirá-los com uma pinça própria para retirar rolhas de cera, mas que o Raul deveria cooperar. Logo sabemos que essa cooperação para uma criança de três anos, enérgica ainda por cima, seria um pouco impossível. (risos) Eu pensava que poderia um dia atrapalhar na audição dele, pois rolhas de cera atrapalham a qualidade da chegada do som na orelha média e isso compromete o limiar de audição das pessoas. (Muitas vezes a ignorância é o melhor remédio, não é mesmo!?)  Uma simples rolha de cera pode dar perda auditiva em um exame de audiometria. Eu lia sempre que o prazo médio para que os tubinhos saíssem era de no máximo 01 ano e meio e o nosso já estava fazendo quase 2 anos de pós cirúrgico. Eu estava incomodada com isso e ansiosa para que chegasse logo esse dia!

Graças a Deus, não precisamos de passar por nenhum estresse e mesmo após um dia de virose daquelas beeeem bravas que acaba com a gente e com os pequenos, parece que foi uma mensagem divina mostrando que Deus tem cuidado e que está a par de tudo o que acontece. Fiquei super aliviada e agradecida!

Para quem tinha curiosidade como eu de vê-lo… Olha ele aí!

Agora é aguardar o da orelha direita!

Com amor,

Ana Maria.

Tubinhos de ventilação e novidades

 

Bom dia, gente!

Hoje viemos com novidades no tratamento do Raulzito. Os tubinhos de ventilação  saíram já faz um mês mais ou menos, porém ainda estão dentro do canal auditivo. Os tubinhos saem quando a membrana timpânica já não precisa mais deles para drenar o líquido que estava dentro dela atrapalhando o funcionamento adequado. Ou seja, quando os tubinhos saem a membrana timpânica já está cicatrizada e pronta para o seu funcionamento. Eu estava aguardando para escrever esse post para postar junto com ele uma foto dos tubinhos quando eles estivessem saído literalmente dos ouvidos, mas não aguentei de ansiedade… risos… mas prometo postar fotos nas nossas redes sociais assim que eles saírem, tá! Para a gente matar a curiosidade de vê-los ao vivo e em cores.

Fazendo uma retrospectiva para quem começou a nos acompanhar agora… a cirurgia de palatoplastia do Raul foi em janeiro do ano passado (2015). A cirurgia foi conjunta: o cirurgião plástico e o otorrinolaringologista que vinha acompanhando o Raul desde os 3 meses de vida. O otorrinolaringologista resolveu colocar os tubinhos de ventilação no mesmo dia da palatoplastia para evitar mais uma possível cirurgia. Foi mais por precaução do que por necessidade mesmo, pois Raul não tinha otite serosa ou silenciosa como costumamos chamar as otites de crianças com fissuras palatais ainda não operadas, temos um post explicando essas otites, clique aqui para relembrá-lo (Otites, por que em fissurados?). A membrana dele estava um pouco retraída e foi para ajudar na mobilidade desta membrana que o médico optou por colocá-los. Os cuidados que tive durante esse ano que se passou desde a cirurgia foram: não deixar água cair diretamente nos ouvidos do Raul e nem vento demais. Nos três primeiros meses eu colocava um algodão embebido em óleo natural nos ouvidos do Raul, vedando a entrada de água e quando andávamos de carro eu fechava sempre as janelas que estavam com vento direto nele, ou se nós estávamos em algum lugar que estivesse ventando demais eu sempre protegia os ouvidos dele. Nada de piscina ou mergulho durante esse ano inteirinho. Eu até o colocava na piscina, mas sempre no colo ou naquelas bóias que flutuam a criança quase toda. O cuidado no banho permanecia até hoje, porém após os três meses eu já não usava mais o algodão, só mesmo tomava cuidado com a água. Quanto à diminuição da audição, Raul nunca apresentou episódios de alteração na audição. Mas em casos que há alterações na audição, espera-se que após essa cirurgia e a cicatrização da membrana, a audição melhore.

Ah, outra pergunta e dúvida que eu tinha em relação à retirada dos tubinhos, pois quando eu estudava a respeito na faculdade os médicos ainda faziam uma nova cirurgia para a retirada dos tubinhos… pois bem, hoje em dia não fazem mais esse procedimento. O lema é quanto mais tempo ficar, melhor ainda, e quando eles saem significa que as membranas timpânicas não estão mesmo mais precisando deles (palavras do médico). Quando caem no canal auditivo ainda demoram um tempinho para que o organismo os expulse por completo. É como se fosse uma cerinha que aos poucos vai sendo expelida pelo ouvido afora. Então aguardem as fotos e as cenas do próximo capítulo. Logo devemos encontrá-los perdidos aqui pela cama do Raul, o médico me alertou que costuma sair quando estão dormindo ou durante o banho. Outra dúvida que tinha, era se já poderia colocar o Raul na natação, ou se ele já poderia ser submerso na água, e o médico disse que sim! Oba! Estou muito animada e agradecida com mais essa etapa vencida!

Com amor,

Ana Maria Poças.

CRFa 6-7185

Otites, por que em fissurados?

Bom dia, gente!

Nesse post vou explicar um pouco porque as otites ou inflamação nos ouvidos são muito frequentes em crianças fissuradas.

O motivo é que como palato (céu da boca) está aberto, a sua musculatura está inserida de forma incorreta sobre a fissura e desta forma não há movimentação adequada das tubas auditivas. Quando não se tem fissura, a musculatura do palato ao se mover promove a dilatação e a drenagem das tubas auditivas para a rinofaringe (Parte da faringe situada atrás das fossas nasais e acima do véu palatino). Como nos fissurados isso não ocorre, a boca e as orelhas acabam tendo uma certa conexão e quando alimentamos nossos pequenos de forma inadequada (deitados) o líquido vai parar nas orelhas médias, onde pode ou não sair depois. O acúmulo de líquido na orelha média que é a causa da famosa otite serosa, tão temida por nós mamães e papais de fissurados.

Essa otite serosa muitas das vezes é silenciosa, ou seja, a criança não tem reação nenhuma a ela, não tem febre, nem dor, nem nada, mas quando levamos ao pediatra e ele vai olhar as orelhas, lá está a membrana timpânica vermelhinha e opaca… ou então quando fazemos a imitanciometria e nos deparamos com o resultado de uma curva Tipo B, que significa presença de líquidos na orelha. 😕 O grande problema desse acúmulo de líquido é que, quando se torna crônico, pode ocasionar infecções de repetição que por sua vez pode levar a perdas auditivas.

Quando a criança está com esse acúmulo de líquido na orelha interna, pode ser necessária a inserção de um tubo de ventilação (Tubinho), para permitir a drenagem do líquido e aliviar os sintomas. O ideal é que a criança seja avaliada por um Otorrinolaringologista desde recém nascido, fazendo testes audiométricos e avaliando regularmente a sua audição. A diminuição da audição em crianças prejudica o desenvolvimento da fala. É de suma importância que a criança escute bem para perceber as variações dos sons da nossa fala e aprender a falar corretamente.

Mesmo eu sendo muito chata, mas muito chata mesmo com a questão da alimentação do Raul e o posicionamento dele durante as mamadas, ele teve que colocar o tubinho nas duas orelhas. Infelizmente, esse procedimento é muito comum mesmo em fissurados palatais. Raul quase não tinha presença de líquidos, mas sua membrana timpânica estava retraída e o médico resolveu colocar para melhorar sua mobilidade.

Olhem ai como funciona o tubinho. Esse azulzinho é o tubinho de ventilação. Ele é inserido na membrana timpânica para promover a drenagem do líquido que estava preso na orelha média.

les-otites-seromuqueuses-anomalie-de-la-fonction-d-aeration
http://www.cochlea.org/

Portanto, prestem atenção sempre nas mamadas, no posicionamento dos bebês e os coloquem o mais sentadinho possível.

E é isso ai!!! A posição na alimenta de um fissurado é de extrema importância para a sua saúde. ☺

Com amor,

Ana Maria.

CRFa 6-7185