Qual mãe não entende dessa arte, não é mesmo!? Eu entendo super bem… Minha pequena afilhada nasceu esta semana. Um dia após o parto (cesárea), estava eu lá no hospital visitando minha amiga e mãe da princesa, quando ela me questionou sobre a dor após o parto… Foi aí que percebi a primeira situação que eu me “anulei” completamente pelo meu pequeno Raul. Não senti dor alguma, aliás não me permiti sentir a dor que muitas mamães contam que é muito ruim.
Eu só fui conhecer o Raul no segundo dia de vida dele. A equipe do hospital onde Raul nasceu não estava preparada para receber um bebê com fissura e o internaram na UTI neonatal. E ele permaneceu lá por looooongos seis dias. Me lembro que no terceiro dia, quando cheguei em casa após a minha alta, minha primeira filha de quatro patas, a Julieta, que tinha parido no mesmo dia que eu (Olha que engraçado!!!) tinha feito uma sujeira enorme em casa. Tinha rasgado jornal pela casa toda, feito xixi e cocô para tudo quanto era lugar da casa e eu sem pensar comecei a limpar a casa. Varri, passei pano, cuidei dos filhotinhos dela e fui tomar banho. Quando olho pra baixo vejo sangue escorrendo junto com a água e foi quando lembrei que estava toda costurada, tinha feito uma cesárea… (resultado, três pontos abertos… 😔). Pois bem, esse foi o primeiro episódio onde me “anulei” por só pensar no meu filho que tinha ficado no hospital, sozinho…
Percebi que a tal “anulação” tem se tornado constante em minha vida. Tanto em coisas materiais quanto nas questões emocionais, sempre penso primeiro nele e depois em mim. Outro exemplo, eu sempre fui uma pessoa que detesta hospital, nunca tive emocional para ficar com ninguém quando estava internado… E pelo Raul passei por cima desse meu sentimento e lá estava eu, firme e forte, por duas vezes acompanhando meu pequeno todo ensanguentado no pós operatório.
Parei para fazer as contas de qual foi a última vez que comprei uma roupa nova pra mim sem comprar uma pro Raul também, sapatos novos o Raul sempre está precisando de um. Eu?! AH, tenho vários sapatos… Raul tá precisando de cortar o cabelo… Vamos ao cabeleireiro sábado? Eu?! AH, mês que vem eu vou… Posso afirmar que foram pouquíssimas vezes que pensei em mim primeiro. Será que está errado!? Pode ser que sim… Mas não me sinto culpada por isso, e nem com pesar por ter esse pensamento. Talvez é uma dificuldade que a mãe encontra de perceber que o filho não é dela?! Talvez sim… Mas faço isso porque sei que ele precisa de mim, por enquanto… Faço isso sem pensar! Faço isso tudo por ele, sem querer nada em troca! É um amor incondicional, um amor que não tem medida! Vivo para ele e por ele! Minha vida é muito melhor por causa dele!
Um dia ele irá crescer… Pode até ser que não retribua o amor, asim como dizem algumas mães, mas eu não ligo! É o que sinto, o que tenho vontade de fazer… e vou vivendo assim! Quando tiver que me “anular”, me “anulo” sim, sem culpa.
Quem faz isso também, levanta a mão!?
Com amor,
Mamãe do Raul




