Da série mamãe fonoaudióloga: A fala dos “Fissurados”

Oi gente!

O assunto de hoje é sobre Fissura. Como tem muitas mamães me perguntando como é a fala de bebês que têm fissuras e se são atrasados em relação a linguagem, resolvi escrever este post.

Já falei aqui no Blog e torno a repetir, bebês fissurados são NORMAIS como todas as outras crianças. A única diferença é a abertura na boca e no palato. Quanto ao desenvolvimento da linguagem não tem nada de diferente, ela acontece do mesmo jeito como todas as crianças. O que pode acontecer são os sons que podem sair um pouco distorcidos se começarem a falar antes da cirurgia, por ainda terem o palato aberto (céu da boca). Por esse motivo, se a cirurgia for realizada no tempo certo, a fala dos nossos pequenos tem uma enorme chance de não ser prejudicada.  Existe um fator bem importante que também auxilia muito que é a escolha de um cirurgião plástico ou um centro especializado no assunto na hora de operar.

Antes da cirurgia os bebês devem ser estimulados normalmente em relação a fala (Já fiz um post sobre Estimulação de linguagem, deem uma lida depois!), o que podemos fazer desde sempre é incentivá-los a direcionar o fluxo aéreo para a boca, pedindo para a criança tampar o nariz com a mão ao falar palavras com a consoante /p/, como por exemplo papai, e também colocar brincadeiras no dia a dia que estimulam o sopro, como por exemplo: tocar flauta, gaita, apito e fazer bolinhas de sabão. Após a cirurgia de palato o que às vezes pode acontecer é o que nós fonoaudiólogos chamamos de disfunção velofaríngea,  que podemos exemplificar com o escape de ar nasal ao falar, hipernasalidade na fala, refluxo nasal de alimentos e distúrbios articulatórios compensatórios (DAC). Por isso, ressalto aqui a importância de procurar um bom profissional cirurgião plástico e um bom fonoaudiólogo, que sejam experientes no assunto. O fonoaudiólogo irá avaliar e passar exercícios para que esta etapa seja vencida e que as alterações na fala sejam minimizadas antes e após as cirurgias. Fazendo isso, podem ter certeza de que as chances de sucesso são enormes.

Depois da palatoplastia, Raul já falava algumas palavras como mamãe, áái (papai), vovó, auau, ága (água), bó (bola), etc. Não falava nada com as consoantes /p/, /d/, /k/ e /t/ ainda, por exemplo, papai ele falava “áái”. Alguns meses de treino e muito sopro (risos) saiu o primeiro papai. E hoje já fala o /p/, /b/, /t/ tranquilamente. A luta agora é para usar o /k/ nas palavras corretamente. Dentre esses sons que citei o único que ainda estamos na luta para ele usá-lo da maneira correta é o /k/ (o mesmo som quando falamos “casa”). Em sílabas isoladas e até em palavras que não tem o /k/ ele usava, por exemplo: ele falava “moco” ao invés de moto. (risos)

Confesso que eu fico um pouco neurótica com a fala do Raul, pelo fato dele ter nascido com fissura, mas ele está até mais desenvolvido do que muita criança que vejo na mesma faixa etária dele (Raul está com 01 ano e 09 meses). Se você escutar ele conversando sozinho ele fala quase todos os fonemas, inclusive alguns que são aprendidos mais pra frente. Enfim, o que temos que preocupar é em estimular. Estimular e muito a audição, colocar músicas para a criança escutar, dançar, cantar, brincar muito, dar livrinhos para ela ir vendo as figuras, estimular a imitação de sons de animais, meios de transportes, telefone, ranger da porta, etc., usar mesmo a imaginação e a criatividade com seus filhotes. Quanto mais brincamos e damos exemplos, eles aprendem! E a última e mais importante dica em relação a fala: Seja o exemplo de fala para o seu filho. Fale certo! Fale as palavras corretamente, mesmo que você ache lindo  e morra de amor quando seu filho falar “ábua” (água), “mimi” (dormir), “bubu” (chupeta/bico) e outras coisas fofas! Criança é seu espelho, em tudo! Pense nisso…

Ps.: Olhem aí, o Raulzito falando Papai logo quando aprendeu a fazer o /p/.

Ps. 2: Já estamos providenciando vídeos no nosso canal no youtube.

Com amor,

Ana Maria Poças.

CRFa 6-7185

Testes auditivos – Imitanciometria

Bom dia!

Mais um exame para a série de testes auditivos e hoje falaremos sobre a Imitanciometria.

Esse teste inclui três etapas: a timpanometria, a compliância e a medida dos reflexos acústicos. O objetivo deles é avaliar as condições da orelha média, detectando se há ou não indícios de secreção, avaliar se há disfunção da tuba auditiva e avaliar também a mobilidade do tímpano e do sistema tímpano-ossicular, que é formado pelos menores ossos que nós temos no corpo humano, o martelo, a bigorna e o estribo.

É um teste objetivo, indolor e muito rápido de fazer. Para a realização é utilizado um equipamento chamado Impedanciômetro. É colocado uma pequena sonda na orelha do paciente que pretende ser testada e essa sonda contém um sistema que injeta e remove pressão dentro da orelha , com isso o impedanciômetro irá verificar o grau de deslocamento do sistema tímpano-ossicular em resposta à variação dessa pressão.

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Impedanciômetro mais moderno e portátil
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Impedanciômetro mais antigo onde além da sonda, também se coloca um fone na orelha contrária a testada

A Imitanciometria é  muito usada para identificar otites serosas crônicas e também para identificar os tipos de perda auditiva, se é condutiva (quando o problema é na orelha externa ou média, ou seja, há algum problema que está impedindo que o som seja conduzido até a cóclea)  ou neurossensorial (quando o problema é na orelha interna, na cóclea ou no nervo auditivo).

Em fissurados é muito comum ter o resultado desse exame como Curva tipo B, que significa presença de líquido na orelha ou Curva Tipo C, sugerindo disfunção da tuba auditiva. Isso se dá pelo fato da tuba auditiva de fissurados estar inserida em local errado, onde o aparelho não consegue fazer a pressão dentro da orelha por falta de vedação.

Em um novo post explicarei melhor os tipos de perdas auditivas, ok!?

Com amor,

Ana Maria.

CRFa 6-7185

Obs.: Quando eu uso o termo fissurados, me refiro antes das cirurgias. ☺

Da série mamãe fonoaudióloga: Estimulação da linguagem

Ainda na barriga já conversamos com nossos bebês, damos carinho, colocamos a barriga para escutar músicas… é ou não é assim!? Quando nasce, começamos a conversar, cantar para dormir ou até mesmo conversar como se fossemos um bebê também (mas, isso só vale se for falando as palavras corretamente… Viu!?).

Os bebês por sua vez, respondem aos nossos estímulos através de um sorriso ou de um choro e estes sempre têm diferenças na entonação. Um choro para avisar a fome, um para avisar que está molhado, outro para mostrar que está estimulado demais e outro para avisar que o sono já vem. E assim os dias vão passando e logo logo estamos em sintonia e nos comunicando perfeitamente. Estou certa?! Antes mesmo dos nossos bebês nascerem já estamos nos comunicando com eles.

A linguagem é adquirida com o nosso dia a dia. E para nos comunicarmos não precisamos somente da boca e seus músculos, envolvemos também outros músculos do nosso corpo e principalmente o cérebro. Os diversos estímulos (táteis, visuais, auditivos ou olfativos) que sujeitamos nossas crianças, atuam de forma decisiva no desenvolvimento da linguagem. Ou seja, a forma como conversamos com elas, o cheiro ou a textura de uma flor ou o sabor de uma fruta, fazem parte da aquisição da linguagem das crianças. Em outras palavras, a comunicação não esta limitada somente a fala, ela envolve todo o meio em que a criança esta inserida.

E como podemos ajudar nesse processo de aquisição de linguagem!? Simples, conversando muito, mais muito mesmo com seu filho. Desde bem pequeno, converse frente a frente com a criança; fale mesmo que você ache que ela ainda não entenda e pareça que você está em um monólogo (risos), conte o que está fazendo e o que está acontecendo em sua volta; narre o que vocês estão fazendo como: “é hora de trocar a fralda”, “vou levantar as suas pernas para colocar uma fralda limpa”, “e agora, está se sentindo melhor?!”,  ou “tá na hora do banho”, “agora vou lavar os seus braços”; chame-a pelo nome, dê nome aos objetos que estão por perto de vocês; incentive-a a imitar os sons dos animais, dos meios de transporte, da porta ao fechar, da panela de pressão, do telefone, etc; ensine a mandar beijos, dar tchau, fazer sinal de jóia, balançar a cabeça fazendo que sim ou que não; dê espaço para a criança demonstrar seus sentimentos; repita as palavras que ela falar errado do jeito certo de falar, mas faça isso de forma suave, não demonstrando que está errado o jeito dela pronunciar; brinque mais brinque muito com seu filho, a criança aprende brincando e seguindo exemplos, por isso seja o exemplo dela.

Com amor,

Ana  Maria Poças

CRFa 6-7185
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