Testes auditivos – PEAEE (Potenciais Evocado Auditivo de Estado Estável)

O PEAEE (Potenciais Evocado Auditivo de Estado Estável) é um exame relativamente novo, que auxilia no diagnóstico precoce da surdez. Ele é indicado nos casos de perda auditiva em recém nascidos, lactentes (até 2 anos de idade) e em crianças que não cooperam na audiometria comportamental. É um exame que permite uma avaliação mais detalhada e objetiva da audição, pois avalia se o bebê escuta as principais frequências da fala.

Na realização do exame o bebê tem que ficar imóvel, portanto é necessário que a criança esteja dormindo ou na maioria das vezes é necessário sedar a criança. Quando a criança mexe, as ondas que são captadas pelos eletrodos do aparelho sofrem interferência, por isso a necessidade da criança estar dormindo. Assim como o teste da orelhinha, este teste é indolor.

Para a realização do teste são colados eletrodos na testa  e na cabeça da criança. Esses eletrodos vão captar e coletar as ondas que serão emitidas por um aparelho acoplado em um computador. Veja a foto abaixo:

PEAEE 02A vantagem desse exame é a possibilidade de se avaliar as duas orelhas simultaneamente  em diferentes frequências, fazendo com que a análise dos resultados fique mais objetiva. As frequências avaliadas são de 500, 1000, 2000 e 4000 Hz (Hertz: é uma medida que indica o número de ocorrências de um evento (ciclos, voltas, ondas, etc.) em um determinado intervalo de tempo). A desvantagem é que o exame é caro (cerca de R$ 680,00) e os convênios não cobrem o procedimento. =(

Pessoal, este post é só uma explicação bem básica sobre o teste PEAEE. Caso vocês queiram maiores informações posso mandar artigos a respeito, ok?!

Beijos.

Ana Maria Poças.

CRFa 6-7185

Fontes:

http://www.clinicaotorrino.es/informacion-pacientes-exploraciones/potenciales-evocados-auditivos-de-estado-estable-peaee/

CALIL, D.B.; LEWIS, D. R.; FIORINI, A.C., Achados dos potenciais evocados auditivos de estado estável em crianças ouvintes, São Paulo: 2006.

PAULETTI, L.F., Estudo comparativo entre potenciais evocados auditivos de estado estável e potenciais auditivos de tronco encefálico por frequência específica em lactentes com perda auditiva, Porto Alegre:2011.

Fissura Labiopalatina e o Teste da Orelhinha

Emissões Otoacústicas Evocadas ou Teste da Orelhinha, como é mais conhecido, é um exame realizado por fonoaudiólogos, que é obrigatório e gratuito (Lei nº 12.303) desde de 2 de agosto de 2010. É um procedimento indolor e não invasivo, ou seja, seu bebê não vai sentir nada a não ser um apito no ouvido. O ideal é que se faça o exame na mesma semana que o bebê nasceu (geralmente após três dias de vida), mas sabemos que isso muitas vezes não é possível, então o prazo para a realização é até os três meses de vida da criança.

Quer saber como funciona o exame!? Pois bem, uma sonda é colocada no ouvido do recém nascido. Essa sonda tem um microfone acoplado a ela que emite e capta os sons. O som emitido é como se fossem cliques que fazem o tímpano vibrar passando pela orelha média e chegando a orelha interna (cóclea). A cóclea por sua vez vibra e emite uma resposta através de ondas vibratórias de volta para a sonda que está inserida no ouvido do bebê, que é captado pelo microfone.

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Esse é um dos modelos do aparelho. Olha como a sonda e pequenininha!!! 😊

O que acontece quando a cóclea não emite essa resposta!?

Aí entra o nosso caso… No caso de bebês com fissura a cóclea muitas das vezes não emite esse resultado de volta. O que quer dizer que como eles não tem o fechamento do palato, a orelha média fica comunicando diretamente com a boca do bebê. Então pode haver presença de líquidos (leite, secreções, etc.) dentro da orelha média o que não permite a cóclea vibrar fazendo com que o resultado do exame dê alterado (ausência de resposta). Mas não se preocupem!!! Após a palatoplastia tudo isso se resolve. Pode ser que seja preciso colocar um Tubinho de Ventilação no ouvido para que a secreção saia. Esse procedimento é bem simples e não deve deixar você preocupada. (Faremos um post explicando sobre isso. Aguardem!!)

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Resumindo…

O Teste da Orelhinha em fissurados, dá alterado (exceto em fissuras labiais)!!! Fiquem calmos!!! Tudo se resolverá após a palatoplastia. Tomem cuidado ao alimentar os bebês, sigam as dicas de alimentação que tudo dará certo. O importante é prevenir as otites de repetição, para preservarmos a audição dos nossos bebês.

Beijos e fiquem com Deus!!!

Ana Maria Poças.

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Chupeta, vilã ou não?!

Você sabia que o reflexo de sucção está presente antes mesmo do bebê nascer!? O reflexo de sucção começa a aparecer entre a 18ª e a 20ª semana da gestação. O bebê precisa de sugar para que seu desenvolvimento da face e da musculatura perioral aconteça, além da sucção ser um fator de extrema importância para o desenvolvimento psicológico da criança.

Já que estamos falando de sucção, nada melhor do que falarmos da chupeta! Quando falamos em chupetas, entramos em discussão a uma série de questões como: sucção não nutritiva, alterações dentárias, doenças (otites, candidíase, etc.), alterações na fala e mais um monte de coisas, mas… quando utilizadas corretamente, não oferecem risco algum. Sou a favor do uso de chupetas, quando utilizadas corretamente. Quando digo utilizadas corretamente, quer dizer dadas e retiradas no momento certo. Crianças que ficam o dia todo com a chupeta na boca, maiores de três anos de idade, que a utilizam para tudo (assistir televisão, dormir, passear, etc.), aí sim não sou a favor. Os ortodontistas e nós fonoaudiólogos, sempre orientamos o modelo ortodôntico, para minimizar os danos que podem causar na dentição e na fala. Mas isso é, se usada por muuuuuito tempo. Nós mamães podemos sim, nos beneficiar das chupetas e nossos bebês também, desde que seguimos as orientações dos profissionais.

O Raul usou chupeta até a labioplastia. Depois ele simplesmente não quis mais, a utiliza agora somente para coçar os dentes. =)  Devido a fissura labial, ele não conseguia segurá-la por muito tempo na boca, assim eu e meu marido segurávamos na boquinha dele sempre que podíamos. Isso ajudou a desenvolver melhor a musculatura do orbicular da boca dele, ajudando a junção da musculatura dos lábios e melhorando um pouco o resultado da labioplastia. Além de ajudar também na mobilidade e na força do músculo da língua, o que muitas vezes são “fracos” em bebês com fissura.

Os modelos que adotamos foram os seguintes:

WebDesigner
Chicco Physio Soft Látex
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Nuk Genius Látex

Portanto, sejam felizes com o uso das chupetas!!! Lembrem-se sempre de usá-las com cautela, não deem a ela uma carga emocional, para que a criança não sofra quando for retirá-la e que não dependa dela para se acalmar e etc. Estabeleçam regras para vocês mesmas ao dá-la, como horários e ocasiões que poderão dar a chupeta ao seu bebê. E lembrem-se também de retirá-las antes dos três anos de idade da criança.

Bom dia para todos vocês!!!

Com amor,

Ana Maria Poças

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Afinal, o que é a fissura labiopalatina?!

A fissura labiopalatina é uma má formação congênita, ou seja, causada antes mesmo do nascimento. As estruturas faciais de um fissurado têm crescimento normal, porém entre a 4ª e a 12ª semana da gestação ocorre um erro na junção dos processos faciais embrionários, causando a falta de continuidade das estruturas da maxila. As fissuras são as deformidades faciais mais comuns em todas as raças e grupos étnicos, tendo maior incidência na raça amarela (asiáticos). A cada 650 nascimentos no Brasil, 1 criança nasce com fissura. A causa desse erro no processo de formação embrionária é muito vaga, mas dentre as possíveis, podemos citar:

  • hereditariedade
  • alterações morfológicas maternas
  • diabetes materna
  • hipotireoidismo
  • stress
  • infecções maternas
  • desnutrição materna
  • uso de determinados medicamentos
  • radiação
  • uso de drogas e álcool durante a gestação

Existem quatro tipos de fissuras:

  1. Pré forame (fissura labial –  vulgo lábio leporino), pode ser unilateral ou bilateral
  2. Transforame (fissura labiopalatina), pode ser unilateral ou bilateral
  3. Pós forame (fissura palatina), pode ser completa (palato mole e duro) ou incompleta (palato mole)
  4. Submucosa (fissura palatina – de difícil diagnóstico)

O tratamento para a correção baseia-se em duas cirurgias básicas que ocorrem entre os três meses até os dezoito meses de vida. A primeira cirurgia, a labioplastia ou queiloplastia ocorre entre os terceiro e o sexto mês de vida, e a segunda, a palatoplastia ocorre após o primeiro ano de vida, podendo acontecer até os dezoito meses. Estas cirurgias têm como objetivo a reconstituição estética e funcional do lábio e do palato. Outras cirurgias podem ser necessárias no decorrer da infância e na adolescência, como enxerto ósseo e plástica reparadora para melhorar a aba do nariz.

A equipe multidisciplinar que acompanha o tratamento de crianças com fissuras é composta por: cirurgião plástico, otorrinolaringologista, psicólogo, fonoaudiólogo, dentista, ortodontista, enfermeiros e geneticistas  (em alguns casos).

Ana Maria Poças.

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Fontes:

Clique para acessar o 5140194d8fd62046ca733a98281d160b.pdf

Spina VA. Proposed modification for the classification os cleft lip and cleft palate. Cleft palate J. 1979; 10:251.

Cardim VLN, Crescimento craniofacial. In: Altmann EBC. Fissura labiopalatina. Carapicuiba: Pró Fono: 1997.

Livro: Fissura Labiopalatina – Fundamentos para a prática Fonoaudiógica/Oragizadoras marisa de Sousa Viana Jesus, Camila Queiroz de Moraes Silveira Di Ninno. – São Paulo: Rocca, 2009.

Dicas pré parto

Quando descobri a fissura do Raul, comecei a pesquisar tudo o que poderia acontecer com ele após o nascimento. Passei dias pesquisando em livros, artigos, na internet, ligando para minhas amigas fonoaudiólogas e para ex-professoras da faculdade, e descobri o seguinte… bebês com fissura não tem nada de anormal!!! O pós operatório e os cuidados após o nascimento são os mesmos que são feitos com qualquer outro bebê.

A primeira dica que dou é: fique calma que tudo dará certo!!! Por mais cliché que pareça, isso é verdade… (risos)… Siga seu instinto maternal e o seu coração. Você aprenderá a cuidar do seu filho da melhor forma possível. Ninguém melhor do que você, mamãe, para cuidar do seu filho!!!

A segunda dica é: para aumentar ainda mais sua tranquilidade, ligue para o hospital/maternidade, no qual pretende ter o bebê, e avise das condições. Procure saber quais são os procedimentos realizados no pós parto e se os profissionais responsáveis têm conhecimento na área.

Essa minha segunda dica é muito válida, pois com o Raul tive alguns probleminhas com a equipe do hospital, principalmente os da UTI Neonatal (Sim, o Raulzito ficou por seis dias na UTI neonatal). A equipe não estava preparada para recebê-lo e nem tinham experiência com bebês fissurados. =/

Tudo dará certo!!! Pensem positivo!!! E mantenham a calma, sempre…

Com amor,

Ana Maria.

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A história do Raul

Eu tinha ovário policístico e vínhamos tentando engravidar por 1 ano e 6 meses. Fiz uso de indutor de ovulação por duas vezes e cheguei a realizar uma bateria de exames para dar início a um tratamento com um especialista em fertilização, mas, por motivos diversos e entre eles uma mudança de cidade, decidimos que deixaríamos de lado o assunto gravidez. Mas Deus não quis assim.. (risos)… após esta decisão, dois meses se passaram, e lá estava eu, super grávida!! 😊😀

A descoberta da gravidez se deu na nona semana e desde então começamos a fazer o pré-natal. Minha gestação foi super tranquila, Raul se desenvolveu sempre dentro do normal e foi no quarto ultrassom (o morfológico) que o médico nos avisou que ele nasceria com fissura labiopalatina (Ps.: o médico era tão fera que conseguiu ver até a fissura palatina!!!). Nesse momento, eu como mãe: me desesperei, chorei, sofri horrores… e quando este período de aceitação passou, resolvi que seria a melhor mãe e a melhor fonoaudióloga para o meu filho.

No caso do Raul, a etiologia não foi muito esclarecida… Não bebi durante a gestação, não faço uso de drogas e nem fumo, tomava ácido fólico desde quando comecei a pensar em engravidar, a única explicação que pode fazer sentido é que na família do meu marido já teve dois casos de fissura labiopalatina, mesmo que muito distante essa pode ter sido a causa. Ou como o médico mesmo disse “qualquer gestação esta sujeita a isso”. Má formação acontece e pronto, sem mais explicações.

Raul nasceu com 38 semanas, 3200 kg e 49 cm, fissura labiopalatina transforame unilateral esquerda (o que quer dizer que  além do lábio ser aberto do lado esquerdo, o céu da boca dele também era todo aberto do lado esquerdo), super saudável e lindo de viver!!

Com amor,

Ana Maria.

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