Da série mamãe fonoaudióloga: Como aumentar o furo do bico da mamadeira

 Bom dia!

Hoje vou falar sobre aumentar furos de bicos de mamadeira “corretamente”. Corretamente está entre aspas, pois o certo mesmo seria não aumentar, mas sabemos que muitas das vezes isso não é possível principalmente quando se trata de crianças que nasceram com fissura labiopalatina. Então, como devemos proceder quando estas crianças realmente não conseguem sugar a mamadeira com o furo que veio de fábrica?

Vou exemplificar com um bico qualquer que encontrei aqui em casa. Já conversamos sobre o assunto do bico e da mamadeira ideal no post Dicas de Alimentação pré e pós Operatório. A mamadeira e o bico ideal é a que seu bebê preferir. Não existe isso de bico adequado. Adequado é seu bebê conseguir mamar direitinho, ganhar peso e crescer, ok?! Sem neuras para bicos ortodônticos, bicos anti isso ou aquilo.

O ideal é você fazer um pequeno furo ao lado do furo existente no bico. Nada de cortar o bico da mamadeira com uma tesoura ou com uma faca. Quando você virar a mamadeira o líquido não deve sair esguichando e sim gotejando. Para isso, pegue uma agulha bem fininha, esterilize-a e esquente-a no fogo e logo ao lado do furo original da mamadeira faça um novo furo. Isso vai facilitar a sucção de seu bebê e evitar possíveis engasgos causados por um furo inadequado, quando por exemplo alargamos o que veio da fábrica.

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Lembrando que esse furo somente deve ser feito se seu bebê tem dificuldade para mamar. Mas como percebo isso?! Se seu bebê cansa de mamar rápido demais e dorme, se ele suga, suga, suga e o nível do leite continua o mesmo, se ele chora muito quando está mamando… enfim, você é mãe (pai ou cuidador) e saberá se seu filho precisa desse facilitador. Outro lembrete importante é sempre conversar com o pediatra ou o fonoaudiólogo que está acompanhando esse processo de alimentação do seu pequeno para que ele o oriente da melhor forma possível.

Com amor,

Ana Maria Poças.

CRFa  6-7185

Outubro Rosa

A primavera chegou e outubro logo logo está aí. O mês de Outubro é destinado a Campanha mundial da luta contra o CÂNCER DE MAMA. Ela iniciou nos Estados Unidos na década de 90 e tomou tamanha proporção e popularidade que hoje vários monumentos de diversos países são iluminados com a cor rosa. A cor remete a feminilidade, motivando e unindo diversos povos em torno dessa nobre causa.

O movimento do Outubro Rosa visa chamar atenção diretamente para a realidade atual do câncer de mama e a importância do diagnóstico precoce.

Então, mulherada, vamos fazer a nossa parte! Além de visitas periódicas ao ginecologista para ver se está tudo OK, você também pode dar continuidade com a prevenção em casa realizando o autoexame. Olha aí como é feito:

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Devemos ficar atentas aos sinais de alerta, que são:

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Imagem retirada da internet.

A prevenção e o diagnóstico o quanto antes é sempre o melhor a ser feito. Passe a informação para as mulheres que vocês conhecem porque a conscientização também ajuda na prevenção.

Com amor,

Ana Maria.

Higiene Oral das crianças

Olá, pessoal!

Sabemos que chega uma hora que as crianças nos dão uma canseira para tomar banho, ir ao banheiro, escovar os cabelos, escovar os dentes então, nem se fala. Uma luta para deixar que a escova entre na boca. O ideal é iniciar esse contato com a escova de dentes quando os primeiros dentinhos começarem a nascer, para que o bebê já vá se acostumando com ela e com o processo.

Comecei bem cedo com o Raul. Na verdade antes mesmos dos dentes dele nascerem. Como havia a fissura no palato dele, a minha preocupação em deixar tudo bem limpinho para que as bactérias não invadissem a boca dele e nem a cavidade nasal era bem grande. Para limpar a boquinha do Raul no início utilizava esse Coelhinho da MAM que comprei logo quando ele nasceu. Mas se você utilizar uma gaze limpa, tem o mesmo efeito. (#ficaadica)

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Quando os dentinhos começaram a nascer de verdade, utilizei essa dedeira da marca Lillo, mas existem outras no mercado. A marca não importa, o que importa é a higiene ser feita corretamente.

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Logo após essa dedeira veio a escova tradicional. Comprei essa da MAM pelo fato de o cabo dela ser pequeno, o que facilitava a pega do Raul. Sim, eu já deixava ele mesmo escovar seus dentes aos 7 meses de idade. Segurava na mãozinha dele e ia guiando a sua escovação. Hoje ele usa escova para crianças de 2 anos e pasta de dente também adequada para a idade.

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Raul ganhou de presente do Ateliê Anita Righi esse kit educador “Dentão e seus amigos” para as crianças aprenderem a escovar os dentes.

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Olha como é fofo! Vem com o dente, minis tomatinhos para colar no dente como se fossem as sujeiras, o fio dental, a pasta e a escova de dente. Eu achei o máximo! E o Raul super curtiu escovar o “Dentão”, como ele mesmo o denominou desde que abriu o presente. Vira e mexe vejo ele lá colando os tomatinhos e narrando qual será a próxima etapa da brincadeira. 😍

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Com amor,

Ana Maria.

Cuidados com a cicatriz após a labioplastia

Bom dia!

Hoje vou esclarecer algumas dúvidas em relação aos cuidados necessários com a cicatriz após a labioplastia ou queiloplastia.

Após a cirurgia o que devemos fazer é limpar sempre os pontos com água e sabão na hora do banho, tomando cuidado para não apertar demais os pontos. Lavar bem de leve! Não é necessário passar nada para limpar, nenhum produto, como por exemplo soro fisiológico com algodão. Algumas mamães passam algodão ou limpam com gaze, mas isso pode causar atrito nos pontos e muitas das vezes quando se passa algodão gruda pedacinhos nos pontos, o que não é legal e pode causar até mesmo infecções, então o ideal é somente lavar com água e sabão, secar com bastante cuidado com uma toalha macia e fazer o uso da pomada cicatrizante que o médico solicitar.

É importantíssimo não tomar sol por no mínimo três meses para que a recuperação da cirurgia tenha um bom resultado com uma melhor cicatrização. Após os pontos caírem e passados esses três meses iniciais, se for tomar sol, mesmo que seja indiretamente, deve-se usar bloqueador solar. Nós ficamos um ano sem expor o Raul ao sol, e até hoje uso bloqueador e um boné quando vamos passear no sol. A pediatra do Raul recomendou o uso de uma pomada para diminuir a cicatriz, e desde a caída dos pontos começamos a usá-la.

Passados trinta dias após a cirurgia e a queda completa dos pontos dos lábios, provavelmente o fonoaudiólogo que atende seu baby deverá passar uma sequência de massagens para melhorar a mobilidade e o alongamento da área operada, a fim de evitar o enrijecimento da cicatriz. A massagem será compreendida por movimentos circulares, para cima e para baixo, e de dentro para fora da musculatura envolvida. Esses exercícios deverão ser feitos diariamente, no mínimo três vezes ao dia,  o máximo de tempo que conseguir. Eu fazia durante o banho do Raul e quando ele estava dormindo, que eram os momentos que ele me deixava colocar os dedos dentro da boquinha dele. Abaixo estão figuras demonstrando algumas massagens que passamos, mas a importância de se ter um fonoaudiólogo acompanhando e ensinando a fazê-las corretamente não é diminuída, ok?! Seja sempre acompanhado por algum profissional que o ensine a realizar corretamente.

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A importância dessa massagem é justamente para a cicatriz ficar mais maleável e não prejudicar na articulação da fala, na movimentação dos lábios e para dar um resultado estético melhor na posição dos lábios.

O resultado da cicatriz vai depender muito da tonalidade da pele da criança e da genética em relação à cicatrização, mas seguindo essas dicas e cuidados no pós operatório o resultado já é muito satisfatório.

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Foto do meu príncipe Raul com o resultado da cicatriz dele. 😍

Com amor,

Ana Maria Poças

CRFa 6-7185

 Ps.: As figuras demonstrando as massagem são do link http://www.amigonerd.net.

Da série mamãe fonoaudióloga: Mastigar é preciso!

A mastigação é uma das funções do nosso corpo. Ela é muito importante para o desenvolvimento craniofacial e para o fortalecimento da musculatura orofacial. É a fase inicial do processo digestivo e para que ela ocorra harmoniosamente é necessário uma coordenação de vários músculos e nervos do nosso corpo. A sua função é reduzir o tamanho dos alimentos para serem mais facilmente digeridos.

O processo de mastigação inicia por volta dos 5/6 meses de vida, que pode coincidir com o nascimento dos primeiros dentinhos. E cabe a nós pais e cuidadores oferecermos a maior variedade de textura de alimentos para os nossos bebês. Desta forma promoveremos à criança uma maior estimulação para o processo de desenvolvimento dessa habilidade de mastigação. Mesmo os bebês tendo somente os dentes da frente, ou mesmo ainda banguelinhos, já exercitam o ato de mastigar, mantendo contato entre as gengivas e com isso já vão treinando para depois comerem um belo prato de arroz com feijão.

Enganam-se os pais, que pensando estarem ajudando no desenvolvimento do processo de mastigação e da deglutição, facilitam a consistência dos alimentos passando-os pela peneira ou batendo-os no liquidificador. Mastigar é preciso e quanto antes iniciar melhor para o desenvolvimento dos nossos pequenos.

Mas quando iniciar com a mastigação?! Bem, a introdução de alimentos que não seja o leite deve ser iniciada entre os 5/6 meses justamente na época que começa a maturação neurológica para que essa nova etapa seja estimulada. Antes converse com seu pediatra a respeito, por exemplo, o Raul iniciou esta etapa aos três meses, devido à cirurgia que o esperava. Vamos às dicas para estimularem a mastigação dos pequenos:

*Evite bater no liquidificador ou passar os alimentos na peneira; *Amasse com um garfo os alimentos, para que a criança possa se acostumar com as texturas;

*Prefira as colheres de silicone, elas além de oferecem mais segurança caso o bebê venha a mordê-las, não esquentam como as de metal;

* Ofereça alimentos de texturas variadas, assim estimulamos também as sensações;

*Ofereça as frutas e os legumes picados (Veja o post do BLW, quem sabe vocês não animam a fazer!?)

*Estimule seu filho a comer todos os tipos de alimento.

Com amor,

Ana Maria Poças

CRFa 6-7185

Ps.: Achei este artigo científico muito legal que tem como título: Início do processo de mastigação, O que pensam as mães e cuidadores. Segue o link para quem quiser dar uma lida.

Clique para acessar o 527af65c25b31b13215d87c19731e89e.pdf

Pirraça, como lidar? – por Marcelle Camargo

Oi gente, tudo bem?

Vim falar sobre a fase da pirraça, tão comum nas crianças entre um e três anos. É nessa fase que elas testam seu limite, sua paciência, sua capacidade de ser (ou não) zen. Você, como todo mortal, tem vontade de bater, colocar de castigo, fingir que não conhece, atirar pela janela, despachar pelos correios, mas, o bom senso te traz à realidade e você respira, inspira, respira, inspira e repete o processo só para garantir. Tem que ter muito jogo de cintura, não é mesmo? É um momento desgastante, porque nem a própria criança sabe os verdadeiros motivos daquele comportamento e usam a pirraça à vontade para alcançar seus objetivos. As mamães sentem-se impotentes com aqueles gritos estridentes, aqueles choros escandalosos, aquele drama a lá novela mexicana e, não encontram muitas saídas, a não ser, esperar a crise passar. Porém, algumas atitudes devem ser tomadas, para que aqueles leõezinhos sejam domados. É importante que os pais sejam firmes, não cedam à choradeira, não confundam amor com limite. Seu filho só te respeitará se você souber impor limites. Deixem bem claro, desde sempre, quem manda dentro de casa. Reforcem o discurso “papai e mamãe só vão deixar Joãozinho fazer isso porque se comportou muito bem na casa da vovó”. Quando a criança começar a atirar objetos, se jogar no chão, puxar toalhas, só para chamar a atenção, deixe claro que não aprova aquele comportamento e saia de perto dela (desde que não esteja em risco). Se perguntar o que a criança quer, vai incentivá-la a agir sempre dessa forma quando quiser algo. A criança vai perceber que aquela pirraça não resolve os problemas dela e vai acabar cansando. Porque fazer pirraça cansa né, gente? Muita energia gasta, muito grito, muito choro, muitos puxões no cabelo. Outra coisa importantíssima é o pai e a mãe manterem o mesmo discurso na frente da criança. Se um desautoriza o outro, compromete a educação do filho. É da natureza humana, recorrer à pessoa mais permissiva para conseguir as coisas e a criança vai perceber logo quem é o “bonzinho” e quem é o “malvado” da relação. Depois que o furdunço terminar, é a hora de dar água, limpar as lágrimas, pegar no colo e, se for preciso, enfiar debaixo do chuveiro para tirar o suor + as lágrimas + cabelo na cara + meleca escorrendo ou só para ajudar a acalmar mesmo. Uma amiga me contou que quando sua filha começava a fazer pirraça, ela já avisava que não adiantaria e ia para outro cômodo da casa, para deixar a atriz mirim sozinha. Só, que quando ela mudava de cômodo, em menos de um minuto, aparecia um corpinho se jogando no chão e ficavam nessa, uma fugindo e a outra a perseguindo para mostrar seu show. Uma hora a filha cansava e elas se entendiam. E é aí que está o segredo, não se deve entrar na onda da criança. Se os pais perdem o controle da situação, a criança de duas uma: ou vai assumir o controle da forma mais barulhenta possível, perdendo o respeito, ou, ficará tão perdida quanto os pais. A boa notícia é que como toda fase, isso passa.

Força na peruca, gente.

Um abraço,

Marcelle Camargo

O desenvolvimento da linguagem da criança, o que esperar?!

Bom dia, pessoal!

Quando nos tornamos pais de primeira viagem começam a surgir inúmeras dúvidas em relação ao desenvolvimento dos nossos pequenos, não é mesmo? Qual a idade que eles começam a andar, a falar, a rir?! São tantas as dúvidas que resolvi escrever para vocês sobre a aquisição da linguagem e o que podemos esperar em cada marco do desenvolvimento. Então, vamos lá!

0 a 3 meses: O bebê já é capaz de prestar atenção aos sons que estão a sua volta. Reconhece a voz dos pais e se acalma quando conversamos com ele. Chora, faz alguns sons, dá gargalhadas, já sorri quando alguém fala com ele e observa o rosto de quem está a sua frente.

4 a 6 meses: Nessa fase o bebê já é capaz de procurar de onde vem o som. Grita, faz alguns sons como se estivesse de fato conversando conosco e tenta imitar a nossa voz.

7 a 11 meses: Nessa fase a criança já sabe de fato de onde vem o som. Faz muitos sons, repete sílabas como “mama” e “papa”. Reconhece o seu nome. Bate palmas. Pode até receber ordens simples como dar tchau e mandar beijos.

12 a 18 meses: Começa a emitir as primeiras palavras, como, por exemplo, nomes de bichos e os nomes das pessoas mais próximas. Fala algumas expressões que indicam ação como “quer” e “dar”. Já é capaz de obedecer a comandos de duas ou mais ordens, como, por exemplo, “Pegue seu brinquedo que está no quarto”. Tem um vocabulário de aproximadamente 20 palavras.

18 a 24 meses: A criança é capaz de dizer muitas palavras diferentes e muitas delas podem ser sem sentido, mas o importante é estar falando. Ela é capaz de dizer frases curtas com duas palavras. Já tem um vocabulário bem amplo com aproximadamente 200 palavras.

2 a 3 anos: A criança já nomeia quase tudo. É capaz de combinar palavras em sentenças para expressar pensamentos e sentimentos. O vocabulário é muito extenso, embora a gramática ainda seja imperfeita. Consegue manter conversas com adultos e já conhece as cores.

4 anos: É capaz de contar histórias e compreender regras de jogos simples.

5 anos: Forma frases completas e deve falar sem trocar as letras na fala.

6 anos: Aprende a ler e a escrever.

Existem alguns sinais de alerta, aos quais devemos ficar atentos, que são:

– Até 1 ano: Se a criança não responde ao seu nome; não balbucia grupos curtos de sons; não olha para as pessoas que falam com ela; não aponta nem faz sons para obter o que deseja.

– Até 18 meses: A criança ainda não diz nenhuma palavra ainda que incorretamente.

– Até 24 meses: A criança ainda não diz mais que uma palavra com clareza, não obedece a uma solicitação simples como, por exemplo: “Vem aqui na mamãe” ou não responde a questões simples como “sim” e “não”.

– Até 3 anos: A criança tem um vocabulário pobre, não produz combinações de palavras, não entende significados diferentes como “em cima/embaixo”, não consegue seguir comandos de duas etapas ou não percebe os sons do ambiente.

Caso perceba alguma alteração nesses marcos de desenvolvimento não hesite em procurar um fonoaudiólogo e conversar com o pediatra responsável pela criança. A precaução é sempre a melhor conduta a ser tomada. Lembrando que existem inúmeras variações no desenvolvimento de uma criança para outra. O que é normal para um, às vezes não é para outro. Cada um desenvolve de um jeito, portanto essas características podem sofrer variações de indivíduo para indivíduo. Não são regras. Por isso é necessário sempre conversar com um profissional para que ele dê um diagnóstico adequado.

Com amor,

Ana Maria Poças

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Da série mamãe fonoaudióloga: Gagueira Infantil, como lidar?!

Bom dia, pessoal!

Hoje o tema que abordaremos será a Gagueira. Como agir e o que fazer quando estamos diante de crianças que estão gaguejando.

É muito comum que durante o processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem algumas crianças passem por episódios de gagueira. A gagueira é uma disfluência caracterizada por rupturas involuntárias do fluxo da fala. Essa disfluência ocorre com mais frequência entre um ano e meio e cinco anos de idade e normalmente é sinal de que a criança está aprendendo a usar a linguagem de maneira nova. Assim como aparece, ela também desaparece como veio; do nada. Mas se persistir é necessário uma avaliação fonoaudiológica. Caso a criança tenha algum antecedente familiar de gagueira, outros atrasos na fala, características psicológicas predisponentes como timidez e ansiedade excessivas, essa disfluência pode evoluir para um quadro crônico que chamamos de gagueira do desenvolvimento, por isso a importância de procurar um profissional adequado. Para a gagueira existe tratamento e quanto antes o iniciar, melhor será o prognóstico. Procure um fonoaudiólogo se tiver alguma dúvida sobre a fluência da fala de seu filho.

Agora iremos aprender como lidar com os episódios de gagueira, o que é de suma importância para a evolução do quadro. Seguem algumas dicas do que NÃO devemos fazer para que a disfluência não seja potencializada e que não sejam causadas frustrações nos pequenos falantes:

* NUNCA peça para a criança parar de gaguejar

* NUNCA peça para ela pensar antes de falar

* NUNCA peça para ela respirar e ter calma

* NUNCA peça para ela começar a frase de novo

* NUNCA sugira que ela evite as palavras difíceis

* NUNCA responda pela criança ou complete suas frases

* NUNCA tente adivinhar o que ela quer dizer

Agir com calma e serenidade é o que devemos fazer, mesmo que o momento de gagueira cause aflição em quem escuta. Deixe que a criança diga o que quer e do jeito que quiser. O importante é sempre mostrar que você está disposto a entender o que ela quer dizer e se mostrar interessado na comunicação. Seja o exemplo de fala da criança, fale com ela sem pressa e com pausas frequentes, quando ela terminar de falar, espere alguns segundos antes de você começar a falar. Reduzir o número de perguntas, fazer comentários ao invés de perguntas sobre o que estão conversando, mostrando que você está prestando atenção, também ajuda muito. As expressões faciais e a linguagem corporal são riquíssimos demonstradores do seu interesse no diálogo, então abuse deles. Este momento de troca, de empatia, auxilia no aumento da autoconfiança da criança pequena, pois ela vai saber que quem está conversando com ela aprecia a sua companhia e a aceita como ela é. Além de esse momento ser bem sugestivo para que a criança expresse seus sentimentos e experiências, pois ela sente-se segura. Papais e mamães, façam com que isso se torne rotina na vida de vocês e acolham essas crianças que estão passando por essa disfluência. Seu papel é fundamental na evolução de seu filho!

O restante da família também deve aprender a escutar e esperar sua vez de falar, assim como as outras dicas aqui escritas. Cabe aos pais ensinarem a eles como devem agir. Para as crianças, principalmente para as que gaguejam, é mais fácil falar quando há poucas interrupções e quando contam com a atenção do ouvinte. E por fim, o mais importante, faça seu filho saber que você o aceita como ele é. O que realmente importa para ele é o apoio dos pais além de se sentir amado.

Com amor,

Ana Maria Poças

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Bibliografia:

Andrade, Claudia Regina Furquim de. Gagueira Infantil: risco, diagnóstico e programas terapêuticos. Barueri, SP: Pró-Fono, 2006.

Teste da Linguinha

Bom dia, pessoal!

No ano passado o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a oferecer em todas as maternidades o Teste da Linguinha. A Lei nº 13.002 de 20 de junho de 2014, “Obriga a realização do protocolo de avaliação do frênulo da língua dos bebês, em todos os hospitais e maternidades do Brasil”.

Como já falamos de alguns testes fonoaudiológicos aqui no Blog, nada mais justo do que falar desse também. O exame tem como objetivo identificar se o frênulo lingual (essa linha que temos abaixo da língua que a liga ao assoalho da boca) limita os movimentos da língua, que são importantes para sugar, mastigar, engolir e falar. Como todos os outros testes que citamos, esse também é indolor. Além disso, é um teste super rápido e realizado por um fonoaudiólogo (ou outro profissional da área da saúde qualificado). Por ser padronizado, ele possibilita diagnosticar e indicar o tratamento precoce das limitações dos movimentos da língua causadas pela famosa “língua presa”, que podem comprometer as funções exercidas pela língua.

A famosa língua presa é uma alteração bem comum que está presente desde o nascimento e acontece quando uma pequena porção de tecido, que deveria ter desaparecido durante o desenvolvimento do bebê na gravidez, permanece na parte de baixo da língua, limitando assim seu movimento. Quando essa alteração passa despercebido, pode prejudicar além da sucção, a deglutição, a mastigação e a fala da criança. Existem graus de língua presa, o que demonstra a importância desse teste que leva em consideração os aspectos anatômicos e funcionais da língua e auxilia no processo de conclusão do caso clínico e decisões das condutas necessárias. O “pique na língua” ou a frenotomia lingual é uma das opões de conduta adotada dependendo do grau da alteração e deverá ser realizado por um médico ou um dentista. Quanto mais cedo for diagnosticado, melhor!

A recomendação é que o teste seja feito ainda na maternidade, se isso não acontecer, avise seu pediatra para que o seu bebê seja encaminhado para um profissional que realize o exame. O teste realizado precocemente auxilia a prevenir dificuldades na amamentação e suas consequências, como por exemplo a perda de peso, a introdução desnecessária da mamadeira e o desmame.

Com amor,

Ana Maria Poças

CRFa 6-7185

Bibliografia:

http://www.sbfa.org.br

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