Da série mamãe fonoaudióloga: A fala dos “Fissurados”

Oi gente!

O assunto de hoje é sobre Fissura. Como tem muitas mamães me perguntando como é a fala de bebês que têm fissuras e se são atrasados em relação a linguagem, resolvi escrever este post.

Já falei aqui no Blog e torno a repetir, bebês fissurados são NORMAIS como todas as outras crianças. A única diferença é a abertura na boca e no palato. Quanto ao desenvolvimento da linguagem não tem nada de diferente, ela acontece do mesmo jeito como todas as crianças. O que pode acontecer são os sons que podem sair um pouco distorcidos se começarem a falar antes da cirurgia, por ainda terem o palato aberto (céu da boca). Por esse motivo, se a cirurgia for realizada no tempo certo, a fala dos nossos pequenos tem uma enorme chance de não ser prejudicada.  Existe um fator bem importante que também auxilia muito que é a escolha de um cirurgião plástico ou um centro especializado no assunto na hora de operar.

Antes da cirurgia os bebês devem ser estimulados normalmente em relação a fala (Já fiz um post sobre Estimulação de linguagem, deem uma lida depois!), o que podemos fazer desde sempre é incentivá-los a direcionar o fluxo aéreo para a boca, pedindo para a criança tampar o nariz com a mão ao falar palavras com a consoante /p/, como por exemplo papai, e também colocar brincadeiras no dia a dia que estimulam o sopro, como por exemplo: tocar flauta, gaita, apito e fazer bolinhas de sabão. Após a cirurgia de palato o que às vezes pode acontecer é o que nós fonoaudiólogos chamamos de disfunção velofaríngea,  que podemos exemplificar com o escape de ar nasal ao falar, hipernasalidade na fala, refluxo nasal de alimentos e distúrbios articulatórios compensatórios (DAC). Por isso, ressalto aqui a importância de procurar um bom profissional cirurgião plástico e um bom fonoaudiólogo, que sejam experientes no assunto. O fonoaudiólogo irá avaliar e passar exercícios para que esta etapa seja vencida e que as alterações na fala sejam minimizadas antes e após as cirurgias. Fazendo isso, podem ter certeza de que as chances de sucesso são enormes.

Depois da palatoplastia, Raul já falava algumas palavras como mamãe, áái (papai), vovó, auau, ága (água), bó (bola), etc. Não falava nada com as consoantes /p/, /d/, /k/ e /t/ ainda, por exemplo, papai ele falava “áái”. Alguns meses de treino e muito sopro (risos) saiu o primeiro papai. E hoje já fala o /p/, /b/, /t/ tranquilamente. A luta agora é para usar o /k/ nas palavras corretamente. Dentre esses sons que citei o único que ainda estamos na luta para ele usá-lo da maneira correta é o /k/ (o mesmo som quando falamos “casa”). Em sílabas isoladas e até em palavras que não tem o /k/ ele usava, por exemplo: ele falava “moco” ao invés de moto. (risos)

Confesso que eu fico um pouco neurótica com a fala do Raul, pelo fato dele ter nascido com fissura, mas ele está até mais desenvolvido do que muita criança que vejo na mesma faixa etária dele (Raul está com 01 ano e 09 meses). Se você escutar ele conversando sozinho ele fala quase todos os fonemas, inclusive alguns que são aprendidos mais pra frente. Enfim, o que temos que preocupar é em estimular. Estimular e muito a audição, colocar músicas para a criança escutar, dançar, cantar, brincar muito, dar livrinhos para ela ir vendo as figuras, estimular a imitação de sons de animais, meios de transportes, telefone, ranger da porta, etc., usar mesmo a imaginação e a criatividade com seus filhotes. Quanto mais brincamos e damos exemplos, eles aprendem! E a última e mais importante dica em relação a fala: Seja o exemplo de fala para o seu filho. Fale certo! Fale as palavras corretamente, mesmo que você ache lindo  e morra de amor quando seu filho falar “ábua” (água), “mimi” (dormir), “bubu” (chupeta/bico) e outras coisas fofas! Criança é seu espelho, em tudo! Pense nisso…

Ps.: Olhem aí, o Raulzito falando Papai logo quando aprendeu a fazer o /p/.

Ps. 2: Já estamos providenciando vídeos no nosso canal no youtube.

Com amor,

Ana Maria Poças.

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Cuidados orais na infância – por Paloma Marques

Oi mamães e leitoras do blog “Fissurada na maternidade”!

Meu nome é Paloma, sou graduada em Odontologia e especializada em Ortodontia. Fui convidada pela minha amiga Aninha e vou tentar esclarecer todos os questionamentos sobre a cavidade bucal e regiões de cabeça e pescoço para vocês!

Hoje vou falar sobre as maiores dúvidas quanto à higiene bucal do bebê: quando deve ser iniciada, como deve ser realizada e qual a idade ideal para a primeira visita ao dentista.

Então, vamos lá!

O cuidado com a saúde bucal do bebê deve vir deeeesde a idade gestacional, na qual a alimentação materna adequada propicia a formação dos órgãos dentários sadios e bem calcificados. Vale ressaltar que a educação materna é o meio mais efetivo para a prevenção de cáries.

Apesar da cavidade bucal não ser colonizada por bactérias causadoras de cáries antes da erupção dos dentinhos, com a chegada do neném os pais devem iniciar os cuidados com a higiene oral, estimulando a gengiva e mantendo a cavidade bucal limpa. Essa fase proporciona mais que somente a higienização, a criação de um bom relacionamento com seu filho e um treinamento para que mais tarde ele receba a dedeira e a escova em um clima de proximidade e carinho.

Além das propriedades nutricionais e psicológicas, a amamentação é importante para o correto desenvolvimento muscular e esquelético da face. Nessa fase de aleitamento, a língua é considerada responsável pela auto limpeza da boquinha. Mas é de extrema importância remover os restos de leite da cavidade bucal. Mesmo o recém-nascido se alimentando com muita frequência, devemos fazer essa limpeza uma vez por dia (de preferência depois da última mamada), visto que as imunoglobulinas (glicoproteínas que atacam proteínas estranhas ao corpo, realizando assim a defesa do organismo) liberadas pelo leite protegem o assoalho bucal contra infecções. A higiene é realizada com a gaze umedecida em água filtrada em forma de estimulação suave pelo rebordo (sobre os quais “nascerão” os dentinhos), céu da boca, língua e debaixo da mesma.

Nos aproximados quatro meses de vida do bebê, a coceira pela erupção dos dentinhos de leite começa a aparecer. Dessa forma, pode-se utilizar a dedeira para a higienização e alívio da gengiva.

Com o aparecimento dos dentinhos (pelo menos dois deles), a dedeira já não se mostra mais suficiente. Então, a criança deverá fazer o uso da escova dental com a pasta de dente sem flúor a princípio, pois ela não saberá cuspi-la totalmente. A escova deve ser infantil, com cerdas macias, próximas e no tamanho adequado para a idade. Uma dica para os papais é que existem váááários modelos de escovas ótimos para os filhos. Inclusive para aqueles mais receosos, tem no mercado escova com proteção de tamanho, que vocês não precisam ficar encucados quanto à quantidade de escova que entra na boquinha do seu bebê. Quando se sentir mais seguro, prefira os cabos mais longos para ser ainda mais fácil de higienizar. Ah, a odontologia infantil é toda linda e colorida! Abuse das cores das escovas e torne esse momento uma brincadeira!

A primeira visita ao dentista também deve ser com a mamãe gestante, para receber as orientações para toda a infância desde já. Preconiza-se que a época ideal para início dos atendimentos odontológicos do bebê seja entre os seis e oito meses de idade. Afinal, nessa época os dentinhos já começam a “nascer”, o dentista pode auxiliar na higienização e ainda orientar os papais.

Espero ter ajudado. E não se esqueçam de cuidar da boquinha do neném!

Até a próxima!

Com amor, Paloma.

Psicologia na área 😄

Bom dia!!!

Como estão passando o fim de semana?

Como já havia avisado, as nossas parcerias continuam aumentando e segunda-feira é dia de mais uma entrar no ar no nosso Fissurada na Maternidade.

A Marcelle Camargo é psicóloga e vai nos ajudar em questões que muitos de nós temos dúvidas ao vivenciamos com nossos pequenos. O primeiro post dela será sobre A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR SOZINHO, em complemento ao assunto desta quinta-feira passada.

Eu estou entusiasmadíssima com essas parcerias, vocês não têm noção! Tudo o que queria encontrar em minhas buscas no “Google” e em livros de maternidade quando tenho dúvidas em algum assunto, eu procuro colocar aqui pra vocês no blog. Porém com qualidade e com autenticidade nos posts. Espero que vocês também estejam amando como eu.

Não percam!!!

Com amor,

Ana Maria.

Brincar SOZINHO, por quê?

Bom dia!!!

Sabe quando vamos brincar com nossos filhos e começamos a falar assim “É assim que brinca, filho. Deixa eu te ensinar. Olha como faz.” ou “Filha encaixa esse quadrado aqui no quadrado. Ó, tá vendo, assim ó…” Se viram em alguma desses dois exemplos?! Pois bem, não somamos em nada quando interferimos na brincadeira dos nossos filhos. Muito pelo contrário, não deixamos que desperte o interesse natural que eles têm em explorar o brinquedo, impedimos que o cérebro programe um raciocínio e crie estratégias para brincar e inibimos até mesmo o desenvolvimento psicológico das nossas crianças ao “podarmos” esses interesses que podem ser despertados com a brincadeira.

A criança precisa brincar sozinha, para que além de desenvolver melhor suas habilidades de pensamento e raciocínio, desenvolva também sua auto confiança, seu auto conhecimento, sua autonomia, sua independência e sua imaginação. Uma criança capaz de brincar sozinha é muito mais centrada, tem controle maior de seus atos e se destaca das outras crianças no seu comportamento com a sociedade, ou seja, para a criança só há benefícios, e para os pais também. Sabe aquela hora que você precisa de um tempinho pra resolver alguma coisa que precisa estar em um estado de concentração máxima, quando quer assistir um filminho com o marido ou com a esposa, quando quer ler aquele livro que se encontra pela metade na mesa de cabeceira da sua cama ou quando quer somente tomar um BANHO?! Você consegue isso se acostumar seu filho desde cedo a se virar sozinho, usando sua imaginação.

Brincar sozinho não é sinônimo de autismo e nem de pena. Já fui obrigada a escutar uma pessoa dizendo que não deixava o filho brincar sozinho porque podia virar autista… Como se fosse possível alguém VIRAR autista. Meu Deus!!! Já também escutei de muitas pessoas assim “Que dó! Ele brinca sozinho?!”. Mas como complemento desse post, irei pedir para uma nova parceira do Fissurada na Maternidade que é psicóloga dizer para vocês os benefícios comprovados na área da Psicologia de se brincar sozinho, ok?! Mas por enquanto vai as minhas observações de mãe mesmo que tenho vivenviado aqui com o Raulzito.

Raul brinca sozinho desde bem novinho. Quando começou a engatinhar, deixávamos ele brincando e explorando seu quarto sem intervir. E desde então, sempre brinca com o que quer e do jeito que quiser. Quando precisa de ajuda ou quer que brinquemos com ele, ele pede. O que ganhamos com isso?! Uma criança extremamente detalhista, ele observa cada coisa que as vezes até nós mesmos não tínhamos observado em seus brinquedos por exemplo, usa a sua imaginação tornando objetos como escova de dente virando carrinhos e pente virando violão, quando está com outras crianças não tem problema em emprestar brinquedos, é atento as coisas a sua volta, aceita ordens (mas como toda criança está passando pelos seu terrible two… tema também para outro post… risos), é muito confiante, divertido (faz graça que é uma beleza!) e é super decidido. Já tem opinião formada, quando encasqueta com uma roupa por exemplo não há nada que mude sua ideia.

Não que meu filho seja mais desenvolvido do que outros, nós somente observamos coisas positivas ao incentivá-lo a se virar sozinho. Um momento de “paz” para nós pais também é merecido, e fazermos isso de uma maneira saudável para nossos pequenos é super válido. Pensem nisso…

Com amor,

Ana Maria Poças

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Perdas Auditivas

Ei, gente!

Hoje falaremos sobre tipos de perdas auditivas. Vocês já leram por aqui em alguns posts citações sobre perdas auditivas, mas, afinal o que é a perda auditiva e quais os tipos existentes?! Neste post vou explicar o assunto um pouquinho pra vocês.

A perda auditiva é o resultado de danos em uma ou várias partes da orelha externa, média e/ou interna. Existem três tipos de perdas auditivas: a condutiva, a neurossensorial e a mista (Segundo Silman e Silverman, 1997).

A perda auditiva condutiva é quando há um problema na orelha externa e/ou média, ou seja, há algo impedindo que o som chegue de forma adequada à orelha interna (cóclea). Geralmente varia entre os graus leve e moderado (26 a 55 decibéis (dB), que é a medida da frequência dos sons). Este tipo de perda pode ser temporária. Dependendo da causa do problema, um remédio ou uma cirurgia, como a colocação de tubinhos de ventilação, podem ajudar. Esta perda auditiva é super comum em alguns casos de fissurados ou em quem tem muita otite. Quando estes dois procedimentos não resolvem o tratamento, pode-se resolver com o uso de aparelho auditivo.

A perda auditiva neurossensorial é quando há um problema com as células sensoriais, ou seja, nas células ciliadas da cóclea, e geralmente é permanente. Este tipo de perda pode ter graus entre leve a severo (26 a 90 dB) e pode ser tratada com aparelhos auditivos e implantes cocleares.

Quando há problemas tanto na orelha externa e/ou média quanto na orelha interna, é chamada de perda auditiva mista. Esta perda pode ser tratada por cirurgia assim como por aparelhos auditivos.

Para saber se uma pessoa tem perda auditiva é necessário fazer uma avaliação com um fonoaudiólogo especialista em audição. O especialista avalia o tipo e o grau da perda auditiva. Para saber o grau, o fonoaudiólogo detectará os limiares da audição da pessoa e os classificará (Segundo  Lloyd e Kaplan, 1978) da seguinte forma :

  • Audição normal: limiares de 0 a 25 dB NA. A pessoa escuta todos os sons normalmente.
  • Perda auditiva de grau leve: limiares de 26 a 40 dB NA. Há uma dificuldade para entender alguns sons da fala, sons da natureza mais baixinhos como por exemplo pássaros cantando, etc;
  • Perda auditiva de grau moderado: limiares de 41 a 55 dB NA.  Presença de dificuldade para ouvir a fala a nível de conversação.
  • Perda auditiva de grau moderadamente severo: limiares de 56 a 70 dB NA. A pessoa tem dificuldade para conversar em grupo, para que ela entenda o que é falado, a pessoa com quem ela está se comunicando tem que falar bem forte.
  • Perda auditiva de grau severo: limiares de 71 a 90 dB NA. Dificuldade um pouco maior em ouvir sons mais altos como, buzina de carro, toque de telefone alto, etc. A fala para ser compreendida por essas pessoas que tem este tipo de perda, tem que ser bem alta (amplificada) e/ou gritada.
  • Perda auditiva de grau profundo: limiares acima de 91 dB NA. Dificuldade para escutar sons relativamente muito alto como turbina de avião, caminhão, maquinários em geral, etc. Para conversar com uma pessoa precisa de estar frente a frente para realizar uma leitura labial para que entenda o que se está falando.

Se você acha que tem alguma dificuldade para escutar, não exite em procurar um fonoaudiólogo. Ele é um dos profissionais indicados para o diagnóstico da dificuldade auditiva. Ele promoverá uma intervenção da melhor maneira possível para que a dificuldade seja minimizada.

Com amor,

Ana Maria.

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Bibliografia:

– Manual de Audiologia dos Conselhos Federal e Regionais de Fonoaudiologia, 2013.

Cronologia do tratamento de fissurados

Bom dia!!!

Muitas mamães me perguntam como é realizado o tratamento de fissurados, quando começam as cirurgias e onde procurar ajuda. Por este motivo vou explicar como fizemos aqui em Belo Horizonte/MG, onde o tratamento é realizado no Centrare (Hospital da Baleia).

Quando decidimos que iríamos realizar o tratamento do Raul na nossa cidade, procuramos saber com antecedência como deveríamos proceder. Os passos iniciais foram:

1°  passo: Dar entrada no Centrare. É preciso que o posto de saúde da sua região faça o encaminhamento para você. O Centrare é do SUS e não atende plano de saúde, ou seja, após sair da maternidade já procure o posto de saúde da sua região e marque uma consulta com o pediatra para que ele faça o encaminhamento.

2° passo: Ir ao Centrare. Após o posto de saúde fazer o encaminhamento, o Centrare entra em contato com você marcando uma consulta inicial, que vai ser realizada através de uma triagem, onde terá na mesma sala alguns dos profissionais envolvidos no tratamento do seu filho. Eles irão explicar como funciona o tratamento, a cronologia e tudo mais. Então aproveite para tirar todas as suas dúvidas. Faça igual a mim, leve um caderninho com todas as suas anotações e dúvidas. Eu perguntei até!!! risos…

3° passo: Após esta consulta de triagem, eles irão marcar uma nova consulta com o cirurgião plástico que irá dar continuidade ao tratamento do seu filhote e com a fonoaudióloga que irá explicar tudo sobre a alimentação, a estimulação do seu bebê e os cuidados com a audição. O cirurgião irá solicitar os exames necessários para a cirurgia que será em torno dos 03 meses de vida. Quando você realiza os exames, um retorno deve ser remarcado para mostrar o resultado dos exames ao médico e assim, ele irá marcar a data da cirurgia.

4° passo: Cirurgia labioplastia. A cirurgia é realizada no Hospital da Baleia. A criança interna e faz a cirurgia no mesmo dia e recebe alta no dia seguinte.

5° passo: Após a cirurgia. Com a cirurgia realizada, é marcado um retorno com o médico que operou o seu filho após sete dias e uma outra após 30 dias. Nesta última também é feita uma consulta com a fonoaudióloga que irá dar orientações sobre o pós operatório, como por exemplo a forma como devem ser feitas as massagens na cicatriz do lábio.

6° passo: O retorno agora é por volta da segunda cirurgia que será a palatoplastia. Os procedimentos são os mesmos da primeira cirurgia até o pós operatório. Acrescenta-se somente o otorrinolaringologista para o acompanhamento da audição chegando a conclusão sobre a necessidade ou não do tubinho de ventilação.

7° passo: Retorno após 6 meses de operado no otorrinolaringologista, cirurgião plástico e fonoaudióloga.

Bom, foram estes passos que passamos até o momento. O início do tratamento odontológico eu ainda não sei quando será, mas já estou providenciando um particular pro Raul para saber como proceder de agora em diante. Conto aqui depois assim que souber e tiver mais novidades.

Espero ter ajudado.

Com amor,

Ana Maria.

A importância do brincar – por Deborah Patricio

Olá pessoal!

Meu nome é Deborah Patrício, sou formada em Educação Física pela PUC-Minas, trabalho em uma creche/pré-escola com atividades recreativas para criança de 2 a 5 anos e em clubes com atividades aquáticas para crianças e hidroginástica para adultos. Além disso, sou cunhada da Ana Maria, portanto,  tia do Raulzinho!

Abordaremos nesse post um pouco sobre a importância do brincar para as crianças. Ainda não sou mãe, mas convivo e contribuo diariamente com a formação de muitos pequeninos!

A brincadeira, muitas vezes, não recebe a importância merecida. Precisamos entender que as crianças aprendem, e muito, quando brincam. Ficaria aqui horas descrevendo seus benefícios… Elas aprendem a respeitar as regras, as relações interpessoais, o tempo e o jeito de aprender de cada um,  melhoram o  desenvolvimento da linguagem corporal, do equilíbrio, da noção de tempo e espaço, da criatividade, e claro, com tudo isso, aperfeiçoam suas habilidades para melhor desenvolverem a aprendizagem em sua totalidade. O erro é que muitas vezes usamos o brincar como instrumento de castigo ou recompensa, privando ou oferecendo a brincadeira à criança dependendo do seu comportamento. Nosso dever é analisar a brincadeira não só como um direito da criança, mas também como nosso dever de instruí-las para o seu melhor aproveitamento . Não podemos simplificar e significar a ludicidade apenas como diversão, pois ela não só desenvolve as potencialidades das crianças como também contribui para o desenvolvimento psíquico e cognitivo da mesma.

É claro e perceptível que quando a criança se envolve na brincadeira, fica mais fácil e fixo o processo de ensino e aprendizagem, já que a assimilação com aquilo que nos faz bem é melhor e mais prazeroso. Prova disso é que o que a criança aprende brincando, dificilmente será esquecido.

Não podemos deixar de citar aqui o papel da tecnologia presente nos momentos de lazer atualmente. É interessante resgatar as brincadeiras antigas, mas não podemos deixar de lado os vídeo-games, tablets, celulares e outros acessórios tecnológicos tão presentes no nosso dia a dia. Basta saber utilizá-los de maneira moderada e da forma que seu conteúdo contribua para o desenvolvimento do brincante. Coordenação motora, raciocínio lógico,concentração são alguns exemplos de benefícios que estes jogos podem oferecer.

Portanto, vamos respeitar esse momento tão importante que envolve os jogos, brinquedos e brincadeiras que nossos pequenos têm  direito,  e aproveitar para oferecer a eles nossa paciência e nosso tempo ajudando-os  “simplesmente”  a brincar!

Deborah Patrício

Instagram: @deborahpatricioef

Cortes facilitadores para introdução alimentar

Olá pessoal!

Fico muito feliz em poder ajudar de alguma forma no desenvolvimento de suas crianças. Decidi então falar de alguns dos inúmeros cortes e métodos de cocção que podem ajudar vocês na busca de alimentos atrativos e saudáveis. Para despertar o interesse das crianças, além de proporcionar variedade em termos de texturas, é possível abusar dos vários cortes e métodos de cocção dos alimentos. Existem vários tipos de cortes que são diferenciados pelo tamanho da largura e comprimento. Os mais conhecidos são o corte em Palito ou Bastonete, conhecido principalmente por ser o corte da batata frita, que possui 6mm de largura por 7cm de comprimento e o Julienne que possui 3mm de largura e 7cm de comprimento. A partir dos cortes Palito e Julliene, cortados em cubos, obtemos o Macédoine, cubos de 6mm de lado e o Brunoise, cubos de 3mm de lado. Obviamente que em casa não é necessária toda essa rigidez métrica. A questão aqui é como isso pode chamar a atenção da criança e usá-los na introdução da alimentação, como por exemplo no método BLW (Baby Led Weaning) e nas papinhas tradicionais. É possível então usar frutas e legumes de cores diferentes com o mesmo corte para, além de despertar uma atratividade estética, contemplar um maior número de nutrientes. Além disso, pode proporcionar inúmeros estímulos sensoriais (táteis, olfativos, visuais e palatais) que podem ser percebidos tanto pelo contato com as mãos, lábios e língua, quanto pela percepção das cores e pelo diversos aromas. Já os estímulos motores são evidenciados quando a criança pega os alimentos cortados de diferentes formas pois precisará de menos ou mais força na mão para levá-los a boca.

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Cortes Bastonete (mais grosso) e o Julienne (mais fino). Foto do blog do Senac.
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Corte Julienne virando o Brunoise. Foto do chefsimon.com
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Corte Bastonete virando o Macédoine. Foto do chefsimon.com

Com os legumes cortados já prontos para serem preparados, é importante lembrar que não devem ser cozidos por longo período em água para evitar a perda de nutrientes e que a melhor forma para evitar essa perda é cozinha-los no vapor. No caso de utilizar a água o ideal é colocar os legumes já na água fervente e respeitar o tempo de cozimento de cada legume, por exemplo o chuchu estará cozido mais rápido que a cenoura. Esses legumes cozidos podem ser servidos imediatamente com sal, azeite e ervas ou ainda salteados para agregar mais sabor. Dessa forma, é possível aos poucos ir modificando a forma de preparo dos legumes seja deixando-os mais al dente ou mais cozidos, seja grelhando ou assando, o importante é que as possibilidades são muitas o que permite que a criança possa ir descobrindo e/ou desenvolvendo suas preferências de uma forma descontraída.

Saudações,

Rodrigo Patricio.

BLW (Baby Led Weaning)… Hein!?

Bom dia, pessoal!!!

Já ouviram falar do BLW ou Baby Led Weaning?! Em português podemos usar como o “desmame que o bebê lidera”. Pois bem, eu não tinha conhecimento até o Raul ter uns oito meses mais ou menos. Ca entre nós… é tanta coisa nova nesse universo da maternidade, não é mesmo?! Mas, nada mais é do que um método que acredito que algumas mamães e papais já fazem e nem se dão conta de que tem esse nome… risos…

O método propõe que os bebês, que têm seis meses ou mais, se alimentem sozinhos, com as próprias mãos e no seu próprio ritmo. Criado pela consultora em saúde inglesa, Gill Rapley, as papinhas batidas no liquidificador ou amassadas são substituídos por frutas e legumes cortados em tiras. Todo alimento é dado na sua forma original, claro que o brócolis por exemplo deverá ser cozido, assim como a batata e etc.. mas nada misturado, amassado ou triturado.

Li várias reportagens para ficar por dentro do assunto e escrever este post para vocês, e segundo alguns adeptos desse método, os bebês desenvolvem autonomia do seu próprio corpo e autonomia também em escolher o que vai comer. Além disso, eu vejo mais quatro fatores importantíssimos e muito estimulados nesse método: a mastigação, a deglutição, a coordenação motora e a parte sensorial. Esse último fator, devido as texturas dos alimentos serem bem diferentes uma das outras.

Para utilizar o BLW é preciso que o bebê esteja bem sentado e que ele também já esteja dando conta de se sentar sozinho, viu pessoal!? É interessante começar aos seis meses, pois com essa idade o bebê já tem um controle motor mais desenvolvido. Também encontrei algumas observações:

– Não se deve dar castanhas e frutas com sementes grandes (cerejas e azeitonas, por exemplo);

– Durante as refeições SEMPRE deverá ter algum adulto por perto supervisionando;

– Os alimentos devem ser introduzidos aos poucos e cortados em palitinhos;

– Como em qualquer método que você for usar para a introdução da alimentação do seu bebê, deve-se sempre ter cuidado com os alimentos alergênicos (como amendoim, trigo, kiwi, etc) e também com pedaços muito pequenos, para evitar que a criança engasgue e/ou aspire a comida;

– Outra dica que eu dou é, converse antes com o pediatra do seu filho e faça a introdução dos alimentos de forma gradual, veja a sugestão dos alimentos que ele lhe dará.

Eu não usei a técnica ao pé da letra como já é muito utilizada por muitas famílias que tenho visto. Eu usava em algumas refeições, mas sempre dei autonomia pro Raul comer o que quiser e como quiser. Ele sempre tem a mesa o seu garfo ou a sua colher, mas usa se quiser. Resumindo… ele faz uma lambança geral aqui na mesa e no corpo dele todo. Porque come com a mão e depois passa a mão no rosto, no olho, no cabelo… risos… O que consegui utilizando em parte esta técnica foi sem dúvida a independência do Raul. Hoje ele abre a geladeira ou pega na fruteira o que quer comer, sozinho. Eu já deixo sempre higienizado tudo o que chega do sacolão, justamente para ele poder pegar e comer o que quiser, sem precisar me pedir.

Promover estímulos para a criança é sempre muito bom!!! Se quiserem saber mais sobre esse método, que já é muito usado nos EUA e na Europa, olhem na internet. Nela tem muitos vídeos explicando e muitas reportagens a respeito. Tenho um artigo em pdf, mas está em inglês… Quem tiver interesse pode me pedir por e-mail, ok?!

Com amor,

Ana Maria Poças

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Fontes:

http://www.babyledweaning.com/

http://www.rapleyweaning.com/

http://blwsemmisterio.com.br/

http://bebe.abril.com.br/materia/baby-led-weaning-uma-nova-forma-de-introduzir-os-solidos

http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/noticia/2013/12/entenda-o-que-e-e-como-funciona-o-baby-led-weaning-4349722.html

APLV – Você não está sozinho

Oi gente! Tudo bem? Venho escrever um pouco da minha experiência com a APLV, que apareceu na minha vida sem muita cerimônia. Espero que possa ajudar e encorajar muitas famílias que sofrem com o mesmo probleminha chato.

Vamos lá… A APLV é uma sigla que significa Alergia à Proteína do Leite de Vaca, ou para os médicos, Hipersensibilidade à Proteína do Leite de Vaca. Ela acontece porque o organismo reconhece a proteína do leite como algo estranho e então produz uma resposta imunológica exagerada para combatê-lo. A APLV é a alergia alimentar mais comum em bebês e crianças, e por incrível que pareça, muitos nunca ouviram falar ou confundem com intolerância à Lactose. Inicia-se normalmente nos primeiros meses de vida, porém na maioria dos casos regride até os 3 anos de idade. Muitos médicos também nem sabem lidar direito com o problema devido à dificuldade no diagnóstico, pois não existem exames que detectam com 100% de confiabilidade a alergia. A causa ainda é um pouco controversa, pode ser de origem genética ou por exposição precoce às fórmulas industrializadas.

Existem dois tipos de alergia, o primeiro deles e o que costuma ser mais grave é o mediado por anticorpos IgE, que se manifesta imediatamente ou até 2 horas após o contato com o alérgeno. Os sintomas desse tipo normalmente são de pele, como: lesões vermelhas, coceiras, irritação na mucosa do nariz, inchaço no olhos e lábios, ou até os casos mais graves, como anafilaxia. O segundo tipo é o não mediado por IgE, que é chamado de tardio. Nele ocorre a manifestação dos sintomas horas ou até dias depois (normalmente até 3 dias). Os sintomas desse tipo são mais relacionados com o sistema gastrointestinal, como: sangue ou muco nas fezes, doença do refluxo gastroesofágico, diarréia, entre outros. (Há crianças que podem ter os dois tipos ao mesmo tempo.)

O tratamento para a APLV é totalmente nutricional, ou seja, é através da exclusão total do leite e seus derivados da dieta da criança, ou no caso daquelas que são amamentadas ainda, da dieta da mãe. Sim, a proteína do leite pode passar para o bebê através do leite materno!! Esse foi o meu caso! As crianças que já tomam fórmula precisam trocar para fórmulas especialmente desenvolvidas para alérgicos. Existem algumas no mercado como a Pregomin pepti, Neocate, PurAmino, entre outras. Vamos então para a minha história com meu bebê.

O Samuel teve contato com a fórmula industrializada muito cedo, já no primeiro dia de vida, o que ao meu ver foi sem necessidade. Os médicos deram o complemento pra ele devido a uma hipoglicemia, problema que foi desencadeado por uma diabetes gestacional dentre outras complicações que tive na gravidez. Após a chegada dele em casa, foi aleitamento materno exclusivo, o que segue até hoje, graças a Deus.

Ele sempre foi um bebê que chorava além do normal, chorava durante e após as mamadas, que, aliás, a amamentação pra mim se tornou um desafio, (tema para um próximo post), até pra fazer cocô ele chorava…. nossa, era um sufoco! O pediatra no início falava que era apenas cólica, depois foi diagnosticado como refluxo oculto, pois nem golfar ele golfava! Até aparecer o primeiro sangue nas fezes…. Saiu um pouquinho só de sangue vivo, tirei foto no dia para mostrar pro médico. Fiquei bastante preocupada no momento, mas como estava perto da ida ao pediatra e ele não tinha febre nem outro sintoma mais preocupante, resolvi esperar e fui pesquisar. Gente, todos os sintomas da APLV o Samuca tinha: muco e sangue nas fezes, choro pra fazer cocô, muitos gases, refluxo, problemas com o sono e etc. Com o tempo comecei a reparar que quando tomava leite ou comia queijo a situação piorava. Foi então que resolvi evitar o leite e seus derivados, porém mal sabia eu que isso não era o suficiente. Existem os tais traços, as alergias cruzadas… Aff… Mostrei ao pediatra dele a foto do cocô e ele disse pra eu não preocupar porque no geral ele estava bem e ganhando peso suficiente. Só que o problema foi só aumentando, os choros continuavam terríveis, mesmo com o remédio para refluxo. Foi então que voltou a sair sangue nas fezes dele depois de algumas semanas e a quantidade foi bem maior e por dois dias seguidos. Foi então que resolvi procurar um gastropediatra, por indicação de uma amiga da minha irmã que o bebê dela também tinha APLV.

Fui ao gastro e foi confirmada minha suspeita. Ele não pediu nenhum exame, o quadro do Samuel era tão específico que ele nem precisou de exames laboratoriais para dar o diagnóstico. Ele me orientou a fazer a dieta de exclusão total do leite e derivados, bem como da soja…. isso mesmo, a maioria dos bebês com a alergia ao leite de vaca tem à proteína da soja também, isso acontece porque a composição dessas proteínas é parecida, assim ocorre uma reação cruzada com a soja, o que pode ocorrer também com a proteína do ovo. Enfim começou a minha luta, fiquei quase uma semana comendo pão sírio com azeite, só no almoço e janta eu comia direito: arroz, feijão, legumes, salada e alguma carne. Emagreci, fiquei fraca, mas como sabia que o leite materno ainda era o melhor pra ele fui firme e aos poucos fui me adaptando. Tive que trocar as panelas e vasilhas de plástico da minha casa, fazer meu pão em casa e não comer mais fora, inclusive na casa de parentes. Isso tudo para evitar ingerir traços de leite e soja. Passei também a olhar os rótulos dos produtos detalhadamente e a ligar para os SACs das empresas. Após isso o meu filho teve uma melhora incrível, parou praticamente de chorar, estava mamando melhor e bem mais tranquilo pra dormir.

Hoje o Samuel está com 4 meses, ainda tem alguns episódios de sangue nas fezes e normalmente, é por algum escape alimentar meu, sempre fico me sentindo culpada… Estou procurando melhorar e descobrir o que eu ingeri que pode ainda estar fazendo mal a ele. Três semanas depois tive que tirar o ovo também, por orientação do Gastro. Seguimos observando a reação dele, já estamos completando 5 semanas de dieta e pretendo seguir assim até o sexto mês (em outro post falo sobre isso).

Gostaria de contar muito mais detalhes sobre a nossa experiência, porém o post ficaria enorme, se alguém tiver mais dúvidas pode entrar em contato comigo aqui nos comentários do blog ou pelo meu instagram: @marianapocasabreu que ficarei feliz em poder ajudar. No mais, para escrever sobre o assunto me baseei em tudo que li na internet e em artigos científicos sobre APLV. Segue o link de dois sites incríveis sobre APLV e outras alergias alimentares que tem informações mais detalhadas, links de receitas deliciosas sem leite e outros alérgenos, vale à pena acessar. Esse é um dos sites mais completos sobre o assunto: http://www.alergiaaoleitedevaca.com.br/

Esse é o site do médico que acompanha o Samuca, quem é de BH super indico!: http://alergiaaleite.com.br/

Pessoal, o segredo para o tratamento da APLV é informação e acima de tudo paciência, pois os sintomas podem demorar até 4 semanas, em média, para desaparecer completamente após o início da dieta. Então desejo às mães e pais que estão passando por isso muita paciência e determinação!

Um abraço a todos.

Mariana Poças Abreu

Mari